A produção nacional de azeite poderá aumentar cerca de 10% na campanha 2026/2027, impulsionada pelo crescimento dos novos olivais, pela disponibilidade de água no solo e pelas condições favoráveis registadas durante a primavera.
A previsão é avançada pela Olivum – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal, que antecipa uma recuperação da produção depois das 160 mil toneladas registadas na campanha anterior.
Segundo Gonçalo Moreira, gestor de projetos da associação, a atual campanha deverá ser marcada por uma maior quantidade de azeitona. O responsável aponta, entre outros fatores, a entrada em produção de novos olivais e a transformação de explorações mais antigas em plantações modernas, com maior capacidade produtiva.
As condições meteorológicas também contribuíram para as expectativas positivas. A primavera ficou marcada por uma floração considerada muito favorável, enquanto a ausência, até ao momento, de pragas e doenças permite manter uma parte significativa da produção nas árvores.
Calor antecipa colheitas
Apesar das temperaturas elevadas registadas nos últimos meses, a disponibilidade de água acumulada no solo, sobretudo na região de Beja, ajudou a minimizar os efeitos do calor sobre os olivais.
Ainda assim, as temperaturas elevadas aceleraram a maturação da azeitona e estão a antecipar o início da campanha em algumas zonas do país. Há propriedades onde a colheita já começou, cerca de um mês antes do período tradicionalmente previsto.
A Olivum explica que esta antecipação está também relacionada com a procura crescente por azeites mais verdes e frescos, levando alguns produtores a iniciar a apanha mais cedo.
Produção pode aproximar-se dos valores de 2024/2025
Caso as previsões se confirmem, Portugal poderá aproximar-se dos níveis alcançados na campanha 2024/2025, que rondaram as 177 mil toneladas de azeite.
Apesar das perspetivas favoráveis, a Olivum considera ainda cedo para retirar conclusões definitivas sobre a campanha e sublinha a importância de manter os padrões de qualidade do azeite português.
A associação chama, no entanto, a atenção para o aumento dos custos de produção. Entre as principais preocupações está a subida dos preços dos combustíveis: segundo a Olivum, o gasóleo agrícola aumentou cerca de 60% e o gasóleo rodoviário cerca de 40% face ao período homólogo da campanha anterior.
A organização considera que este agravamento representa uma pressão adicional para os produtores durante a nova campanha.
Com sede em Beja, a Olivum foi criada em 2013 e representa atualmente mais de 53 mil hectares de olival, 21 lagares e cerca de 70% da produção nacional de azeite.
Rádio Castrense / Lusa





















