A Comissão Política do PSD de Almodôvar congratula-se com a reposição do funcionamento dos órgãos da Freguesia de Senhora da Graça dos Padrões, mas manifesta “profunda discordância” relativamente à solução política encontrada para ultrapassar a crise provocada pela renúncia de vários eleitos.
Num comunicado divulgado esta quarta-feira, 23 de setembro, o PSD considera que os eleitores da freguesia deveriam ter sido novamente chamados a pronunciar-se através de eleições, defendendo que a solução encontrada resultou de um entendimento político entre o presidente da Junta, Gabriel Guerreiro, eleito pelo movimento independente Unidos Pela Freguesia (UPF), e o Partido Socialista.
A crise teve origem, no final de agosto, na renúncia de vários eleitos do movimento independente, situação que levou à perda de quórum da Assembleia de Freguesia e colocou a realização de eleições intercalares entre os cenários em cima da mesa.
PSD invoca resultado das autárquicas de 2025
A estrutura social-democrata recorda que, nas eleições autárquicas de 2025, a UPF venceu a eleição para a Assembleia de Freguesia de Senhora da Graça dos Padrões, elegendo quatro membros, enquanto o PS conquistou três mandatos.
Os resultados oficiais confirmam essa distribuição: a UPF obteve 119 votos, correspondentes a 59,5% dos votos expressos, enquanto o PS conseguiu 72 votos, 36%. A CDU obteve quatro votos.
O PSD sustenta, por isso, que a composição inicialmente resultante das urnas — quatro eleitos da UPF e três do PS — deveria ser o principal referencial para a solução da crise.
Segundo o partido, após as renúncias, a composição dos órgãos passou a ser, na sua interpretação, de dois elementos ligados à candidatura vencedora e cinco ligados ao PS. É com base nesta alteração que os social-democratas afirmam que a atual configuração “não corresponde à vontade expressa do povo”.
“Devolver a palavra ao povo”
Para o PSD de Almodôvar, a solução para a crise deveria ter passado por um novo ato eleitoral.
“Com transparência tinha que se DEVOLVER A PALAVRA AO POVO”, defende a Comissão Política, que considera que, perante a alteração da composição política dos órgãos, os fregueses deveriam ter tido oportunidade de escolher novamente os seus representantes.
A solução acabou, contudo, por ser encontrada através de um entendimento político. O presidente da Junta, Gabriel Guerreiro, confirmou publicamente a existência de um acordo com o PS destinado a garantir o funcionamento dos órgãos da freguesia. Segundo informação divulgada pela Rádio Castrense esta semana, o entendimento prevê também um alinhamento do sentido de voto de Guerreiro com o PS na Assembleia Municipal de Almodôvar.
Acordo altera equilíbrio na Assembleia Municipal
O PSD considera particularmente relevante esta dimensão do entendimento, argumentando que a posição assumida pelo presidente da Junta tem consequências para além da própria freguesia.
A Rádio Castrense noticiou que o acordo alterou o equilíbrio na Assembleia Municipal de Almodôvar: o PS passou a dispor de 12 elementos alinhados nas votações, contra 11 do PSD, contando para esse efeito com o compromisso assumido pelo presidente da Junta de Senhora da Graça dos Padrões.
O PSD interpreta esta circunstância como uma utilização política da crise da freguesia para alterar a correlação de forças no órgão municipal. Trata-se, contudo, de uma interpretação política da estrutura social-democrata, e não de um facto independente estabelecido pelas fontes consultadas.
“Os interesses dos fregueses” acima dos partidos
No comunicado, o PSD sublinha que a UPF se apresentou às eleições como um movimento independente e que os eleitores que votaram nessa candidatura não votaram numa candidatura socialista.
A estrutura partidária termina a sua posição defendendo que o executivo agora constituído deve governar “para a freguesia e não para qualquer partido político” e colocar os interesses dos fregueses acima dos equilíbrios partidários.
O PSD considera ainda que, quando está em causa a renovação da legitimidade política dos órgãos autárquicos, “são os cidadãos que devem ter a última palavra”.
A Freguesia de Senhora da Graça dos Padrões foi uma das freguesias repostas no âmbito da reorganização administrativa concretizada para as eleições autárquicas de 2025.





















