A Guarda Nacional Republicana defende a reorganização da Unidade Nacional de Trânsito, recuperando o modelo da antiga Brigada de Trânsito, com o objetivo de “reforçar a fiscalização, aumentar a visibilidade policial e melhorar a segurança nas estradas portuguesas”.
Em comunicado divulgado a 15 de abril, a GNR sublinha que “a evolução recente da sinistralidade rodoviária exige uma maior capacidade de resposta operacional”. A instituição alerta que “os fatores de risco são cada vez mais dinâmicos, associados a comportamentos perigosos que persistem apesar das campanhas de sensibilização”.
Segundo os dados apresentados, até 13 de abril deste ano registaram-se 145 vítimas mortais nas estradas portuguesas, mais 42 do que no mesmo período de 2025, o que representa um aumento de 22%. Estes números colocam Portugal como o sexto país da União Europeia com maior taxa de mortalidade rodoviária, com 58 mortos por milhão de habitantes.
A GNR recorda que “os constrangimentos atuais na área do trânsito foram já identificados aquando da extinção da Brigada de Trânsito, processo iniciado em 2007 e concretizado em 2009”. Desde então, os destacamentos passaram a estar integrados nos comandos territoriais, o que, segundo a instituição, “tem limitado a eficácia operacional, dificultando a uniformização de procedimentos e a concentração de meios”.
Atualmente, a GNR assegura presença em 94% do território nacional e em 98% das vias rodoviárias, mas aponta limitações ao nível do comando, controlo e supervisão nacional, agravadas por fronteiras administrativas que não acompanham a natureza dinâmica da sinistralidade rodoviária.
Perante este cenário, a força de segurança defende “uma resposta operacional assente em três pilares: gestão orientada pelo risco, elevada mobilidade e flexibilidade dos meios, e tomada de decisão sustentada em dados”. O objetivo é “antecipar padrões de sinistralidade e concentrar recursos nas zonas de maior risco, antes da ocorrência de acidentes”.
O novo modelo proposto para a Unidade Nacional de Trânsito assenta em quatro eixos estruturantes: integração dos 23 destacamentos de trânsito numa estrutura de comando nacional, criação de um nível intermédio de comando através de grupos de trânsito, reforço do comando técnico especializado e manutenção da proximidade territorial.
A implementação desta reorganização deverá ser feita de forma faseada e progressiva, garantindo a continuidade do policiamento em toda a rede rodoviária nacional.
Com esta proposta, a GNR pretende reforçar o seu compromisso com a segurança rodoviária, apostando num modelo mais ágil, coordenado e orientado para os desafios atuais e futuros da mobilidade em Portugal.























