A confiança dos profissionais do setor imobiliário em Portugal registou uma queda acentuada no verão de 2026, refletindo um contexto marcado por instabilidade internacional e mudanças legislativas no mercado da habitação.
De acordo com dados do idealista, o Índice de Sensibilidade do Setor Imobiliário (ISSI) mostra uma descida significativa do otimismo tanto na venda como no arrendamento de casas. Entre a primavera e o terceiro trimestre de 2026, as expectativas para a venda de habitação recuaram de 71,6 para 67,1 pontos, enquanto o arrendamento atingiu um novo mínimo histórico de 50,3 pontos.
Este cenário surge num momento em que fatores externos, como a guerra no Médio Oriente, continuam a pressionar a economia global, contribuindo para o aumento da inflação e das taxas de juro, com impacto direto no poder de compra das famílias. A nível interno, as novas medidas do Governo liderado por Luís Montenegro, incluindo o pacote fiscal da habitação e a reforma do arrendamento, têm vindo a gerar incerteza entre os agentes do setor.
Apesar da quebra na confiança, a maioria dos profissionais continua a antecipar um aumento no número de transações de compra e venda de casas até setembro. Cerca de 63% acredita que irá vender mais imóveis, enquanto mais de metade prevê a estabilização dos preços, após um período de subidas contínuas.
No arrendamento, o cenário é mais incerto. As expectativas dividem-se entre quem prevê maior atividade e quem antecipa uma redução nos contratos, refletindo um mercado ainda em ajustamento. Ainda assim, a tendência dominante aponta para a estabilização das rendas no curto prazo.
Os dados indicam também que poderá haver um aumento da oferta de casas para venda, com cerca de 65% dos agentes a esperar angariar mais imóveis, o que poderá aliviar a pressão da procura. Já no arrendamento, não há consenso quanto à evolução da oferta.
O ISSI, calculado trimestralmente com base num inquérito a profissionais do setor, mede o grau de confiança e as perspetivas do mercado imobiliário numa escala de 0 a 100, sendo considerado um importante indicador da evolução do setor em Portugal.
























