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Agricultura regenerativa e ordenamento da paisagem são chave para combater o calor extremo

A agricultura regenerativa e o ordenamento inteligente da paisagem podem desempenhar um papel determinante no combate às alterações climáticas e na adaptação dos territórios às temperaturas extremas. A convicção foi defendida por Tiago Lucena, da consultora Terracrua Design, durante uma intervenção dedicada ao futuro da agricultura e da gestão do território durante a FACAL – Feira de Artes e Cultura de Almodôvar.

Segundo o mesmo, o principal problema das alterações climáticas encontra-se sobretudo na forma como a paisagem e as cidades são desenhadas e geridas.
“O problema das alterações climáticas não está no céu, está na paisagem, está na cidade, está na vila, está à nossa volta”, afirmou, apontando o uso intensivo de asfalto, a dependência do ar condicionado e a utilização de materiais que agravam o aquecimento como exemplos de opções que contribuem para o aumento das temperaturas.

Para a Terracrua Design, a adaptação ao clima passa por soluções baseadas na natureza e por uma transformação do espaço urbano e rural. Entre as medidas que considera prioritárias estão a criação de cinturas verdes em torno das vilas e aldeias, o desenvolvimento de corredores ecológicos nas cidades e o reforço dos espaços verdes urbanos.

Nesta perspetiva, estas intervenções representam uma resposta mais eficaz e economicamente mais vantajosa do que o recurso crescente a soluções tecnológicas para mitigar o calor extremo.
“É economicamente muito mais barato resolver isto com arquitetura paisagista do que com ainda mais ar condicionados ou outras soluções tecnológicas”, sublinhou Tiago Lucena.

O especialista destacou ainda a necessidade de reforçar a retenção de água na paisagem, defendendo a criação de pequenas charcas e lagos em locais estratégicos do Baixo Alentejo.

Segundo explicou, estas infraestruturas deverão estar articuladas com a rede viária, aproveitando as estradas não apenas como vias de circulação, mas também como elementos de gestão hidrológica capazes de encaminhar a água para os locais onde é mais necessária.

Na visão da Terracrua, um ordenamento integrado do território, assente na regeneração da paisagem e na gestão eficiente da água, poderá inverter o atual processo de degradação ambiental.

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