O Bloco de Esquerda (BE) de Beja criticou a decisão da Câmara Municipal de avançar com um concurso público internacional para a aquisição de serviços de limpeza urbana, considerando que a medida representa o aprofundamento da privatização de um serviço essencial.
Em comunicado divulgado na segunda-feira, a estrutura concelhia do partido refere que a proposta, apresentada pelo presidente da autarquia, Nuno Palma Ferro (coligação PSD/CDS-IL), foi aprovada com os votos favoráveis da maioria do executivo, dos dois vereadores do PS e de um vereador do Chega. Os dois vereadores da CDU votaram contra.
O BE sustenta que a limpeza urbana deve ser assegurada diretamente pelos serviços municipais, defendendo a remunicipalização da atividade. Segundo o partido, a gestão privada não tem respondido às necessidades da cidade, apontando a existência de bairros onde o serviço é insuficiente e defendendo melhores condições laborais para os trabalhadores do setor.
No comunicado, o Bloco manifesta concordância com a posição anteriormente assumida pela Comissão Concelhia de Beja do PCP, que classificou a decisão como uma medida negativa, argumentando que a manutenção da prestação do serviço por entidades privadas representa um aumento de custos para o município e dá continuidade a uma política de privatização que a CDU afirma combater.
Para o BE, a decisão evidencia também divergências políticas no atual executivo municipal. O partido considera que, apesar da atribuição de pelouros à CDU, nas decisões consideradas estruturantes, como a limpeza urbana, “a direita sabe muito bem o que quer” e conta com o apoio do PS e do Chega.
Na parte final do comunicado, o Bloco de Esquerda defende a construção de um entendimento entre as forças políticas à esquerda, apelando a um “acordo de oposição consequente, amplo e plural” que permita mobilizar a população e apresentar alternativas às atuais políticas municipais.



















