A morte de um utente de 87 anos na urgência da ULS do Algarve, em Portimão, após mais de 10 horas de espera, levou o Gabinete Sénior – Associação de Apoio Jurídico e Social a manifestar a sua indignação e a exigir novas regras de atendimento hospitalar para a população idosa.
Em comunicado, a associação considera inadmissível que uma pessoa de idade avançada aguarde tantas horas por assistência médica, alertando que situações semelhantes continuam a ocorrer em serviços de urgência sobrelotados, onde muitos idosos permanecem sozinhos e sem reavaliação clínica regular.
O Gabinete Sénior recorda que a legislação portuguesa já consagra direitos específicos de proteção da pessoa idosa, mas considera que falta transformar esses direitos em procedimentos obrigatórios nos hospitais.
Entre as medidas propostas estão a garantia do direito ao acompanhamento durante toda a permanência na urgência, a sinalização dos idosos que chegam sozinhos, a prioridade dentro do mesmo nível de triagem e a reavaliação clínica sempre que os tempos de espera sejam ultrapassados.
A associação defende ainda uma vigilância periódica dos doentes nas salas de espera, melhores condições durante a permanência no hospital, informação regular aos familiares, planos de contingência em períodos de maior afluência e a divulgação pública dos tempos de espera por prioridade de triagem e faixa etária.
Para o Gabinete Sénior, a idade avançada e a vulnerabilidade dos doentes exigem uma atenção acrescida, não podendo nenhum idoso permanecer horas numa urgência sem acompanhamento e vigilância adequados.
A associação pretende, assim, sensibilizar as entidades responsáveis para a necessidade de criar regras uniformes, obrigatórias e fiscalizáveis, sublinhando que os direitos das pessoas idosas não podem ficar apenas no papel: têm de ser efetivamente cumpridos nos hospitais.
O Gabinete Sénior – Associação de Apoio Jurídico e Social é uma instituição sem fins lucrativos dedicada à promoção e defesa dos direitos das pessoas com 65 ou mais anos, desenvolvendo atividade nas áreas da informação jurídica e social e da intervenção junto das entidades públicas.



















