Beja é um dos cinco municípios portugueses escolhidos para testar soluções destinadas a tornar as cidades mais preparadas para os efeitos das alterações climáticas, no âmbito do programa PRO NAT.URBE.
A iniciativa foi aprovada pelo Governo e estabelece uma estratégia até 2035 para promover o aumento das áreas verdes e do coberto arbóreo, recuperar linhas de água, criar corredores ecológicos e tornar os solos urbanos mais permeáveis.
Além de Beja, estão em desenvolvimento projetos-piloto em Évora, Vila Real, Guimarães e São João da Madeira. As intervenções pretendem testar, no terreno, soluções baseadas na natureza e criar modelos que possam posteriormente ser aplicados noutros municípios.
Entre as medidas previstas encontram-se a criação e valorização de espaços verdes, a plantação de árvores, a recuperação de linhas de água e a implementação de infraestruturas verdes e azuis. Está também prevista a desimpermeabilização de solos, contribuindo para uma melhor gestão da água e para a adaptação das cidades a fenómenos meteorológicos extremos.
Uma das áreas de intervenção passa ainda pela criação de redes de abrigos climáticos, destinadas a disponibilizar espaços acessíveis à população durante períodos de calor intenso. Parques, jardins, zonas arborizadas, praças com sombra e equipamentos públicos poderão integrar estas redes, com especial relevância para a proteção das pessoas mais vulneráveis.
O Programa de Ação para a Resiliência e Restauro da Natureza em Áreas Urbanas foi definido através de um despacho publicado em Diário da República, depois de uma consulta pública realizada em abril.
Segundo o Governo, o programa pretende passar do planeamento à concretização de medidas no território, permitindo avaliar os resultados das intervenções e identificar soluções que possam ser replicadas noutras cidades.
O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, considera necessário preparar o país para os impactos das alterações climáticas, apontando a maior frequência das ondas de calor e a ocorrência de episódios de precipitação intensa.
Também a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, destaca a importância de testar soluções no terreno, defendendo que o aumento das árvores e dos espaços verdes, a recuperação das linhas de água e a existência de solos mais permeáveis podem contribuir para cidades mais preparadas para fenómenos extremos.
O PRO NAT.URBE está igualmente relacionado com as metas definidas pelo Regulamento Europeu do Restauro da Natureza, que estabelece como objetivo que, até 2030, não exista perda líquida de espaço verde urbano nem de coberto arbóreo urbano.
O programa deverá ainda servir como referência para a mobilização de financiamento nacional e europeu destinado ao restauro da natureza nas áreas urbanas.
As intervenções realizadas no âmbito do PRO NAT.URBE serão georreferenciadas e disponibilizadas através do Portal da Informação Territorial, permitindo acompanhar a execução das medidas, partilhar conhecimento e divulgar boas práticas entre os municípios.
Foto: Rádio Castrense





















