A Câmara Municipal de Odemira está a dar os primeiros passos para a implementação da sua própria Polícia Municipal. Após um período de debate alargado e de análise financeira, o município prepara-se agora para iniciar as negociações com o Governo, a entidade responsável por dar a autorização final para a criação deste corpo policial.
Segundo o presidente da autarquia, Hélder Guerreiro, a viabilidade do projeto já foi testada. O município avançou com um estudo sobre os custos associados e concluiu que, no “deve e haver”, o balanço para o território é positivo. Além disso, a futura corporação já tem enquadramento no regulamento de taxas aprovado recentemente pela autarquia.
Negociações com o Governo na agenda
Com o fecho do anterior quadro comunitário e a gestão de dossiers urgentes — como a candidatura de escolas e o impacto de intempéries — a terem centralizado as atenções da dinâmica municipal nos últimos tempos, a Polícia Municipal surge agora como uma das prioridades para o executivo.
“Importa agora iniciar negociações com o Governo para que a coisa possa acontecer, porque o Governo é que terá de dar autorização”, explicou Hélder Guerreiro, apontando que a atual estabilidade governativa permitirá avançar com as conversações.
Desafios de recrutamento e instalações
Apesar do parecer positivo, o autarca reconhece que o processo será complexo e poderá demorar “um a dois anos”. Um dos principais desafios prende-se com a atratividade da carreira. De acordo com os rácios populacionais e territoriais, Odemira poderá ter direito a um limite máximo a rondar os 21 a 23 operacionais. No entanto, Hélder Guerreiro lembra que esta não é uma carreira muito valorizada em Portugal e que o exemplo de outros territórios mostra a dificuldade em preencher a totalidade dos quadros.
Ainda assim, o objetivo passa por criar uma unidade que funcione de forma complementar e adicione valor à fiscalização que o município já realiza.
Para além do recrutamento, a autarquia está também a planear a componente logística. A criação da Polícia Municipal exige um edifício próprio, estando a ser avaliada a reformulação dos serviços municipais — com a transferência de algumas valências para o espaço “Bem Parece” (futura área logística e de Proteção Civil) — o que libertará instalações no concelho para acolher a nova força de segurança.

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