A Galp prepara um novo investimento em energias renováveis no Alentejo, com incidência nos concelhos de Odemira e Ourique, depois de ter desistido do polémico Parque Eólico das Cachenas.
A nova iniciativa, denominada Projeto Eólico do Mira, contempla a instalação de 22 aerogeradores e inclui ainda uma vertente de produção solar fotovoltaica. A aposta num modelo híbrido pretende aumentar a eficiência e garantir maior capacidade de produção de energia limpa.
Recorde-se que o anterior projeto das Cachenas previa 19 aerogeradores destinados a apoiar a futura unidade de hidrogénio verde em Sines. No entanto, acabou por não avançar, na sequência de pareceres negativos e de uma contestação expressiva por parte de autarquias, associações ambientais e população local.
Com esta reformulação, a empresa energética procura alinhar-se com os objetivos da transição energética, apostando na conjugação de diferentes fontes renováveis numa única solução.
O novo projeto encontra-se ainda em fase de desenvolvimento, surgindo como alternativa ao plano anterior e como mais um contributo para o reforço da produção sustentável na região.
Durante a sessão da Assembleia Municipal de dia 30 de junho, o presidente da Câmara de Odemira, Hélder Guerreiro, esclareceu que o projeto está ainda numa fase embrionária e que não existe qualquer acordo com a Galp.
Hélder Guerreiro adiantou ainda que a empresa aponta agora para um máximo de 15 aerogeradores e assegurou que, embora o licenciamento seja da competência da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), a Câmara apoiará a população caso exista uma oposição clara e fundamentada à instalação em locais específicos.
O executivo reconhece, porém, que Odemira dificilmente escapará à expansão das energias renováveis, impulsionada pelas Zonas de Aceleração de Renováveis (ZAER).
“Se há uma lei nacional que obriga a todos os territórios de devem contribuir para o todo nacional, muito provavelmente nós não nos livraremos de ter que contribuir para o todo nacional também do ponto de vista daquilo que é a produção energética” – frisou o autarca.
Para preparar este processo, o município criou um grupo consultivo multidisciplinar que irá identificar áreas adequadas e negociar contrapartidas para o território.
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