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Quinta-feira, Fevereiro 5, 2026

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Temporal ameaça futuro da produção de pequenos frutos e agricultura em Odemira

A Lusomorango – Organização de Produtores de Pequenos Frutos alertou para o impacto severo da depressão Kristin nas explorações agrícolas do concelho de Odemira, estimando prejuízos diretos provisórios já superiores a 10 milhões de euros. Entre cerca de quatro dezenas de produtores associados, a destruição de infraestruturas agrícolas, sistemas de rega e equipamentos essenciais à produção provocou, para já, a perda de entre 50% e 70% da capacidade produtiva.

Segundo a organização, estes valores são ainda preliminares, numa altura em que as previsões meteorológicas apontam para o agravamento das condições do tempo nos próximos dias, o que poderá aumentar significativamente os prejuízos e comprometer não só a campanha agrícola em curso, mas também a produção futura. Perante este cenário, a Lusomorango considera que está em causa o futuro da fileira dos pequenos frutos e da atividade agrícola no território.

A Organização de Produtores defende que Odemira deve ser incluído no conjunto de regiões abrangidas pelas medidas extraordinárias anunciadas pelo Governo para os territórios onde foi decretado o estado de calamidade. Caso contrário, alerta, muitas dezenas de explorações agrícolas e milhares de postos de trabalho poderão ficar em risco, por não terem acesso aos apoios necessários para fazer face aos estragos causados pela tempestade.

Em declarações, o CEO da Lusomorango, Joel Vasconcelos, sublinha que “está em causa a capacidade produtiva imediata e futura de um setor estratégico para o país”, acrescentando que a destruição de infraestruturas compromete colheitas, contratos de exportação e empregos. O responsável manifesta solidariedade com todas as regiões afetadas, mas considera fundamental que o Governo reconheça a gravidade da situação em Odemira e noutros territórios e os inclua no perímetro das ajudas destinadas a responder aos efeitos da depressão Kristin.

De acordo com um estudo da EY-Parthenon, o Perímetro de Rega do Mira gerou, em 2023, cerca de 502 milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto, mais de 16 mil postos de trabalho e 134 milhões de euros em receita fiscal. A Lusomorango representa uma parte significativa deste contributo, sendo responsável por 17% da produção nacional de pequenos frutos e por uma fatia relevante das exportações. Em 2024, a fileira exportou 348 milhões de euros, com a Lusomorango a representar aproximadamente um terço desse valor.

A organização reforça que o que está em risco não é apenas uma campanha agrícola, mas a continuidade de uma atividade que assegura emprego, fixa população, produz alimentos e gera valor económico para o país. Nesse sentido, apela a uma resposta rápida, eficaz e justa, que inclua todos os produtores afetados nos mecanismos de apoio extraordinário, garantindo simplicidade administrativa e rapidez na execução, de forma a evitar danos irreversíveis na capacidade produtiva, no emprego e no contributo económico e social deste setor estratégico para Portugal.

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