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Raças autóctones perdem terreno e rentabilidade face ao bom momento dos bovinos e ovinos no mercado

O alerta é de Nuno Faustino, dirigente da Associação de Criadores do Porco Alentejano (ACPA), que defende a urgência de compreender as causas do fenómeno e aplicar medidas de apoio para preservar este património nacional.

Apesar de o mercado dos bovinos e dos ovinos estar a atravessar um período “muito bom”, a realidade não se tem refletido de igual forma para as raças autóctones. A constatação é de Nuno Faustino, dirigente da Associação de Criadores do Porco Alentejano (ACPA), que aponta para um cenário “quase contraditório”, onde as raças autóctones acabam por sair prejudicadas.

De acordo com o responsável, os animais “convencionais” — ou raças exóticas — têm acompanhado a tendência de valorização do mercado, garantindo um bom retorno financeiro. Por oposição, as raças autóctones não conseguiram acompanhar essa subida de preços, o que resulta numa perda contínua de atratividade para o setor.

Menos rentabilidade, menor apetência de criadores

A disparidade nos preços e na valorização tem um impacto direto no ecossistema agrícola. Sem o mesmo retorno financeiro, a apetência para que novos e antigos criadores se dediquem a estas raças diminui significativamente.

“A rentabilidade é mais baixa e [as raças autóctones] não acompanharam a subida que as outras raças tiveram”, explicou Nuno Faustino, sublinhando que a falta de valorização económica coloca em risco a sustentabilidade da atividade.

Urgência em perceber o problema e atuar

Perante este cenário, o dirigente da ACPA deixa uma recomendação clara às entidades e ao setor: é fundamental, em primeiro lugar, analisar com rigor as razões pelas quais as raças autóctones ficaram para trás neste ciclo de valorização.

Só após esse diagnóstico, defende, será possível “atuar em conformidade” para traçar estratégias de apoio eficazes. Nuno Faustino recorda que estas raças representam um património crucial para o país, desempenhando um papel insubstituível na coesão e preservação das regiões de produção extensiva.

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