A eventual cessação de contrato de 16 médicos de família no Baixo Alentejo está a gerar preocupação quanto ao impacto no acesso aos cuidados de saúde primários na região. Segundo dados avançados pela Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL), cerca de 30 mil utentes poderão ficar sem acompanhamento médico até ao final do ano.
A escassez de profissionais de saúde na região não é recente. Já em 2014, a Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA) recorria à contratação de médicos estrangeiros para colmatar vagas que ficavam por preencher. Nos últimos anos, o problema tem-se agravado: no final de 2024, cerca de 12 mil utentes não tinham médico de família, número que subiu para 19 mil em julho de 2025. Em março deste ano, eram ainda 18.628 as pessoas sem acompanhamento médico atribuído.
Entretanto, alterações recentes nas regras de contratação de médicos tarefeiros levantaram novas preocupações quanto à continuidade dos cuidados prestados, sobretudo em territórios mais carenciados como o Baixo Alentejo.
Em reação a esta situação, o deputado do CHEGA António Carneiro, eleito pelo círculo de Beja, defende que “deve ser garantida, em primeiro lugar, a continuidade do acompanhamento médico das populações antes de qualquer alteração contratual”. O parlamentar sublinha que “não está em causa a nacionalidade dos profissionais, mas sim a necessidade de assegurar estabilidade e qualidade nos cuidados de saúde”.
António Carneiro sublinha que “o PS não pode fingir que este problema nasceu agora, depois de anos no Governo sem conseguir fixar médicos na região” e acrescenta que “o atual Governo também não pode aprovar uma lei e só depois perceber as consequências”.
O responsável alerta ainda para “o risco de afastamento de médicos que acompanham estas populações há vários anos, sem que existam substitutos disponíveis, o que poderá agravar ainda mais a resposta dos centros de saúde em concelhos como Beja, Moura, Serpa, Aljustrel e Almodôvar”.
Perante este cenário, António Carneiro “exige esclarecimentos ao Ministério da Saúde sobre quais as unidades de saúde que poderão ser afetadas, o número de utentes em risco e as soluções previstas para garantir a continuidade dos cuidados”.
A situação volta assim a colocar em evidência as dificuldades estruturais na fixação de médicos no interior do país, com impacto direto na qualidade de vida das populações do Baixo Alentejo.
























