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Quinta-feira, Junho 11, 2026

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Atraso na Linha do Algarve condiciona reforço de comboios na Linha do Alentejo, admite Governo

O Governo admite que a reafetação de material circulante ferroviário a gasóleo para responder às necessidades da Linha do Alentejo está a ser dificultada devido ao atraso no processo de certificação da modernização da Linha do Algarve.

A explicação consta da resposta do gabinete do ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, a uma pergunta do deputado do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, documento consultado pela agência Lusa.

Na resposta, o Executivo reconhece a existência de constrangimentos na disponibilidade de material circulante ferroviário no país, justificando essa situação com um prolongado período de desinvestimento na renovação da frota ferroviária. Este cenário, refere o Governo, tem levado ao recurso a material mais antigo, que exige maior manutenção e reduz a sua disponibilidade operacional.

No caso concreto da Linha do Alentejo, o Ministério das Infraestruturas sublinha que o atraso na certificação das obras de modernização da Linha do Algarve tem impedido a libertação de composições a gasóleo atualmente afetas a essa linha, o que limita a gestão flexível da frota e condiciona a oferta de serviços.

Segundo a tutela, a conclusão da eletrificação da Linha do Algarve está prevista para julho, o que permitirá uma gestão mais eficiente do material circulante da CP e possibilitará o reforço dos serviços em linhas não eletrificadas.

O Governo acrescenta que estão em curso mecanismos de acompanhamento e fiscalização do serviço público ferroviário, com avaliação dos níveis de serviço e identificação de medidas corretivas sempre que necessário. A CP dispõe, segundo o Executivo, de ferramentas operacionais para mitigar situações de rutura de oferta, incluindo reajustes de horários, reafetação de material entre linhas e recurso a transportes alternativos.

O aluguer de material circulante, admite ainda o Ministério, tem sido considerado como solução complementar, embora condicionado por limitações técnicas, operacionais e financeiras.

Na mesma resposta, o Governo destaca ainda os investimentos em curso na renovação da frota ferroviária, nomeadamente a aquisição de 22 automotoras da Stadler e 153 unidades da Alstom, prevendo-se que as primeiras três automotoras bimodo, capazes de operar em modo diesel e elétrico, entrem ao serviço no primeiro trimestre de 2027, sendo alocadas à Linha do Alentejo.

A questão foi levantada em maio pelo deputado Fabian Figueiredo, que alertou para a degradação do serviço ferroviário na Linha do Alentejo, na sequência de dois incidentes ocorridos no troço Beja–Casa Branca, incluindo uma avaria que deixou passageiros retidos numa automotora e um episódio em que um transporte rodoviário de substituição acabou por circular por um caminho de terra batida devido a um desvio provocado por obras na estrada.

Rádio Castrense / Lusa

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