Se planeia ir a banhos, saiba que o mapa das temperaturas da água do mar em Portugal está virado ao contrário, com as praias do Norte do país a registarem águas substancialmente mais quentes do que as habituais águas do Alentejo e do Algarve.
Este fenómeno invulgar deve-se à ausência temporária da nortada, o vento forte de norte que habitualmente se faz sentir no verão e que atua como um motor de arrefecimento costeiro. Sem a força deste vento, o processo oceanográfico conhecido como “upwelling” — que puxa as correntes geladas e profundas do fundo do mar para a superfície — foi completamente interrompido na metade superior do país, permitindo que a radiação solar aquecesse rapidamente a camada superficial da água na Costa Verde e na Costa de Prata.
Os termómetros na costa Norte estão a surpreender os banhistas com valores que oscilam entre os 20ºC e os 22ºC, um registo muito acima da média histórica para a região geográfica. Em sentido inverso, o Alentejo e o Algarve enfrentam uma realidade invulgarmente fresca para esta época do ano, com a Costa Vicentina alentejana a registar águas frias que rondam os 16ºC a 18ºC devido à persistência de correntes locais.
Nem o Algarve escapa a esta anomalia, com o sotavento e o barlavento algarvios a marcarem uns tímidos 18ºC a 19ºC na água, deixando a região sul temporariamente mais fria do que o mar nortenho. Os especialistas e meteorologistas alertam, contudo, que esta situação tem um caráter estritamente passageiro e que a normalidade geográfica será reposta assim que o padrão de ventos mude.
Assim que a nortada regressar com intensidade à costa ocidental portuguesa, o processo de “upwelling” será reativado, fazendo as águas do Norte arrefecerem de imediato e devolvendo ao Algarve o habitual trono de mar mais quente do país.
Até lá, resta aos veraneantes e banhistas do Norte aproveitar estes mergulhos surpreendentemente quentes e atípicos na costa atlântica.
Foto: Rádio Castrense
























