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Descoberta arqueológica em Mértola revela núcleo romano-republicano e vestígios com mais de 2.700 anos

Os trabalhos de acompanhamento arqueológico na obra da Cintura Verde, em Mértola, permitiram identificar uma nova área da Necrópole do Cerro das Neves. Esta descoberta vem complementar as escavações realizadas no Largo da Feira, revelando que o complexo funerário de cremação tem uma dimensão e uma abrangência cronológica significativamente superiores ao que se conhecia.

A intervenção, iniciada a 13 de agosto, resultou até ao momento na escavação de 46 sepulturas de cremação. O grande destaque deste novo setor reside na identificação de um núcleo associado ao período romano-republicano, datado dos séculos II a I a.C., que se junta aos vestígios da Idade do Ferro já documentados na zona do Largo da Feira.

Numa nova área de escavação agora iniciada, os dados preliminares apontam ainda para a possível descoberta de uma sepultura mais antiga, cujo estudo em curso sugere poder recuar ao século VII a.C., indiciando a presença de um setor ainda mais recuado da necrópole.

Segundo a autarquia, o achado assume uma relevância acrescida para o património do concelho, ao documentar materialmente a evolução dos rituais funerários e o longo período de transição entre a Idade do Ferro e o início do processo de romanização na região.

Para aprofundar e consolidar o conhecimento sobre a necrópole, a Câmara Municipal de Mértola e equipas de investigadores vão cruzar os dados arqueológicos recolhidos no terreno com análises laboratoriais e estudos de gabinete no âmbito das arqueociências.

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