O deputado do Chega eleito pelo círculo eleitoral de Beja, António Carneiro, questiona a decisão de instalar em Tancos uma escola de pilotos, num investimento anunciado de 500 milhões de euros, e defende que o Aeroporto de Beja deveria ter sido considerado para acolher o projeto.
Numa posição pública, o parlamentar considera que a escolha merece esclarecimentos por parte do Governo, liderado por Luís Montenegro, e critica o que classifica como um esquecimento persistente do Baixo Alentejo nas decisões de investimento estratégico.
António Carneiro sublinha que a sua posição não é contra o desenvolvimento de Tancos ou do distrito de Santarém, mas sim contra a falta de investimento na região de Beja. O deputado questiona quais foram os critérios técnicos utilizados para selecionar Tancos e se foi realizada uma comparação com as condições oferecidas pelo aeroporto alentejano.
Entre os argumentos apresentados, o parlamentar destaca a pista de 3.450 metros do Aeroporto de Beja, a disponibilidade de espaço e as condições favoráveis à formação aeronáutica. Refere ainda a experiência acumulada na formação e no treino de pilotos militares na Base Aérea n.º 11, incluindo pilotos alemães, bem como a presença de empresas do setor aeronáutico na região.
O deputado aponta também o potencial de investimento na manutenção de aeronaves, destacando a atividade da MESA, ligada ao grupo Hi Fly, e um projeto de investimento anunciado de 60 milhões de euros.
Na perspetiva de António Carneiro, a instalação de uma escola de pilotos em Beja poderia contribuir para a criação de emprego qualificado, dinamizar a economia regional e criar novas oportunidades para os jovens. Os efeitos, defende, poderiam estender-se a outros concelhos do Baixo Alentejo, através do desenvolvimento da habitação, dos serviços e da formação profissional.
O parlamentar considera que a decisão deve ser acompanhada de uma avaliação transparente dos custos e das vantagens de cada localização. Por isso, anuncia que irá exigir ao Governo a apresentação dos critérios que fundamentaram a escolha de Tancos, bem como uma comparação rigorosa entre as duas infraestruturas.
António Carneiro defende que o Aeroporto de Beja não deve continuar sem uma estratégia nacional que permita aproveitar plenamente o seu potencial e apela a uma política de investimento que assegure oportunidades de desenvolvimento às regiões do interior.
A posição do deputado surge na sequência do anúncio do investimento previsto para Tancos, que, segundo os dados por si referidos, deverá permitir criar cerca de 200 postos de trabalho e incluir uma participação do Estado de 50 milhões de euros para intervenções na pista.





















