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SPZS aponta “abandono e desinvestimento público” como fatores associados aos resultados do PISA no Alentejo

O Sindicato dos Professores da Zona Sul (SPZS) considera que os resultados mais recentes do PISA, programa internacional da OCDE que avalia competências de alunos de 15 anos em matemática, leitura e ciências, voltam a evidenciar as desigualdades territoriais no acesso à educação no Alentejo.

Num comunicado divulgado esta terça-feira, 22 de setembro, a estrutura sindical defende que os resultados obtidos na região devem ser analisados tendo em conta fatores sociais, económicos e educativos, rejeitando que possam ser atribuídos às escolas, aos professores ou às famílias. A posição do sindicato é que estes resultados refletem, entre outros fatores, décadas de opções políticas que, na sua perspetiva, contribuíram para o afastamento da escola pública das comunidades rurais.

Encerramento de escolas e deslocações

Entre os fatores apontados pelo SPZS está o encerramento de escolas do 1.º ciclo ao longo das últimas décadas. O sindicato sustenta que a concentração de alunos em centros escolares mais distantes aumentou o tempo diário passado por muitas crianças e jovens em transportes escolares.

Segundo a estrutura sindical, estas deslocações representam menos tempo disponível para descanso, brincadeira, estudo e acompanhamento familiar, além de terem contribuído, em algumas localidades, para o enfraquecimento das redes comunitárias.

O SPZS relaciona igualmente os resultados escolares com as condições socioeconómicas existentes na região, apontando para baixos rendimentos familiares, precariedade laboral e insuficiência de serviços e infraestruturas de apoio como elementos que condicionam as oportunidades educativas.

Falta de professores é outra preocupação

A situação da profissão docente é outro dos aspetos destacados pelo sindicato. O SPZS refere o envelhecimento do corpo docente, a precariedade e as dificuldades de fixação de professores no território, nomeadamente devido aos custos associados às deslocações e à habitação.

Na perspetiva da organização sindical, a instabilidade e a falta de docentes podem comprometer a continuidade das aprendizagens ao longo do ano letivo.

Os dados da OCDE mostram, no plano nacional, uma descida do desempenho português entre 2018 e 2022 em matemática e leitura, enquanto os resultados em ciências permaneceram aproximadamente ao nível de 2018. Em 2022, Portugal obteve 472 pontos em matemática, 477 em leitura e 484 em ciências.

Sindicato pede reforço do investimento

Perante este cenário, o SPZS defende o reforço dos apoios socioeducativos, a valorização e estabilização da carreira docente e políticas que garantam uma escola pública de proximidade no Alentejo.

A estrutura sindical considera que a educação deve ser garantida de forma universal, independentemente do local onde os alunos vivem, e sustenta que os resultados do PISA devem ser analisados à luz das condições sociais e territoriais em que decorrem os processos educativos.

A posição sobre as causas dos resultados é do Sindicato dos Professores da Zona Sul. Os dados oficiais do PISA permitem avaliar o desempenho dos alunos, mas não estabelecem, por si só, uma relação causal entre esses resultados e cada uma das políticas ou fatores apontados pelo sindicato.

Imagem meramente ilustrativa

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