A Associação de Produtores do Concelho de Serpa (APROSERPA) lançou um alerta sobre a grave situação que enfrenta o setor agropecuário no sul do país. Num comunicado emitido esta sexta-feira, 20 de março de 2026, a associação denuncia uma “tempestade perfeita” que ameaça o sistema de produção extensivo, apontando quatro áreas críticas que requerem intervenção imediata.
Entre os problemas destacados está “a falta de vacinas, que deixa os animais desprotegidos contra surtos, agravada pela ausência de informação clara por parte das autoridades competentes, como a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e o Ministério da Agricultura”. Esta situação “coloca em risco não só a produção, mas também a saúde e sobrevivência dos rebanhos” dizem os agricultores.
A APROSERPA critica ainda o silêncio em torno da nova Política Agrícola Comum (PAC) e os acordos comerciais com Mercosul e Austrália, que podem abrir o mercado a importações massivas de carne produzida fora dos padrões nacionais de bem-estar animal, ambientais e sanitários, criando concorrência desleal e ameaçando a soberania alimentar do país.
Outro ponto de preocupação são os custos de produção, impulsionados pelo aumento acentuado do preço do gasóleo agrícola e dos fertilizantes. A associação destaca que o consumo de um único trator em campanha pode chegar a 150 a 200 litros por dia, traduzindo-se num custo diário de 200 a 280 euros apenas em combustível, sem contar os adubos, o que pressiona financeiramente as explorações agrícolas.
Perante este cenário, a APROSERPA exige ações concretas do Governo e reitera o pedido de reunião urgente à CCDR Alentejo, sublinhando que está preparada para novas formas de protesto e mobilização caso as reivindicações continuem a ser ignoradas.
“Não podemos continuar a ser meros espectadores da nossa própria ruína. Exigimos menos política de gabinete e mais ação. Sem agricultores não há comida, e sem comida não há soberania”, afirma a direção da associação, que representa mais de 1.400 produtores só no concelho de Serpa.
A associação alerta que a situação exige respostas imediatas para proteger o setor e garantir a continuidade da produção agropecuária na região.




















