A associação representativa das empresas hortofrutícolas do sudoeste alentejano estima que os prejuízos provocados pelo mau tempo nas estufas e explorações agrícolas do concelho de Odemira rondem os 20 milhões de euros. A informação foi avançada pelo presidente da AHSA – Associação de Horticultores, Fruticultores e Floricultores do Sudoeste Alentejano, Luís Mesquita Dias, que explicou à agência Lusa que a força do vento e a chuva intensa dos últimos dias causaram danos significativos em instalações agrícolas, afetando centenas de hectares de estufas e túneis.
Segundo o responsável, os prejuízos “vão-se acumulando” e poderão mesmo ser superiores à estimativa inicial, uma vez que foram muitas as empresas afetadas. Como exemplo, referiu que numa das maiores associações de produtores de frutos vermelhos, que reúne cerca de 500 hectares, aproximadamente 200 hectares de estufas ou túneis sofreram danos, embora ainda não seja possível quantificar com rigor as perdas totais e parciais.
Luís Mesquita Dias alertou ainda para os impactos na produção hortofrutícola, sublinhando que os estragos causados pelo vento forte durante a passagem da tempestade Kristin danificaram os túneis e comprometeram culturas, tornando ainda mais difícil a avaliação económica dos prejuízos. Com a persistência da chuva na última semana e as previsões meteorológicas para os próximos dias, o dirigente teme que muitas plantações venham a perder-se. As estruturas danificadas, aliadas ao encharcamento dos terrenos, estão a provocar o alagamento de culturas, sendo que algumas poderão ser recuperadas, mas outras, caso a água se mantenha, poderão sofrer atrofia ou afogamento das raízes, resultando em perdas totais.
Também a organização Lusomorango, que representa produtores de pequenos frutos do concelho de Odemira, avançou que os prejuízos provisórios ultrapassam os 10 milhões de euros entre cerca de quatro dezenas de produtores associados, tendo solicitado o acesso aos apoios anunciados pelo Governo.
Desde a semana passada, dez pessoas morreram na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin, enquanto a Câmara Municipal da Marinha Grande confirmou outra vítima mortal. A estas juntaram-se ainda quatro óbitos resultantes de quedas de telhados durante trabalhos de reparação ou de intoxicação provocada por um gerador. Entre as principais consequências materiais do temporal contam-se a destruição total ou parcial de habitações, empresas e equipamentos, quedas de árvores e estruturas, cortes e condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial ferroviários, encerramento de escolas e interrupções no fornecimento de energia, água e comunicações. Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos mais afetados.
Perante a dimensão dos estragos, o Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio que poderá ascender a 2,5 mil milhões de euros.
Rádio Castrense / Lusa















