A associação ambientalista ZERO alertou esta terça-feira para o risco de o Alqueva deixar de cumprir a sua função de reserva estratégica nacional de água, na sequência da decisão do Governo de aumentar em 110 milhões de metros cúbicos o volume anual de extração, dos quais 100 milhões destinados ao regadio.
Segundo a ZERO, um despacho conjunto dos Ministérios da Agricultura e do Ambiente compromete a capacidade do sistema para garantir três anos de abastecimento em cenário de seca prolongada, assegurando apenas uma reserva mínima para consumo público, inferior a 5% do total.
A associação critica a crescente pressão sobre a albufeira, resultante da expansão do regadio para fora dos perímetros oficiais, que já ultrapassam os 30 mil hectares, da extensão do sistema ao Alto Sado e do sobredimensionamento das áreas agrícolas. Destaca ainda que as necessidades de água do olival superintensivo excedem a concessão anual em cerca de 39 milhões de metros cúbicos.
A ZERO alerta também para os impactos dos novos transvases previstos para a bacia do Mira, bem como para os compromissos de caudais com o Algarve e Espanha, no âmbito da Convenção de Albufeira. Para responder a estas exigências, o Governo prevê avançar com a denominada “Cascata do Guadiana”.
Os ambientalistas criticam o facto de cerca de 95% da água resultante de investimento público ser destinada a atividades privadas orientadas para a exportação, defendendo que os custos reais e os impactos ambientais não estão refletidos no preço da água.
Perante este cenário, a ZERO exige uma pós-avaliação rigorosa do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva antes de qualquer nova expansão e apela ao cumprimento da Diretiva Quadro da Água e à reativação do Conselho de Acompanhamento do Alqueva.















