O setor dos pequenos frutos registou, em 2025, um impacto económico de 1.037 milhões de euros no Valor Acrescentado Bruto (VAB), mais do que triplicando a produção nacional na última década e afirmando-se como uma das fileiras agrícolas mais dinâmicas da economia portuguesa.
Os dados constam de um estudo da EY-Parthenon, desenvolvido para a Lusomorango e para a Driscoll’s, apresentado na Feira Nacional de Agricultura, em Santarém, na presença do Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, e do presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, Álvaro Mendonça e Moura.
Produção mais do que triplica em dez anos
Segundo o relatório, a produção nacional de pequenos frutos passou de 27,6 mil toneladas em 2015 para 91,4 mil toneladas em 2025, impulsionada sobretudo pela framboesa, mirtilo e amora. Em termos de valor, o setor atingiu 580 milhões de euros em 2025, o que representa um crescimento de 72,6% face a 2020.
As projeções apontam para uma nova subida em 2026, podendo o valor da produção chegar aos 645 milhões de euros.
Em 2025, as exportações ascenderam a cerca de 398 milhões de euros, mais do triplo do registado há uma década, confirmando a forte vocação internacional da fileira.
Impacto alargado na economia e no emprego
O estudo destaca que, do impacto total no VAB, 252 milhões de euros são efeitos diretos, 309 milhões indiretos e 476 milhões induzidos, evidenciando o efeito multiplicador da atividade em setores como logística, comércio, serviços, energia e construção.
No total, a fileira gerou 34.369 empregos equivalentes a tempo completo em 2025, dos quais 17.433 diretamente ligados à produção. Para 2026, estima-se um crescimento para 36.702 postos de trabalho.
As remunerações associadas ao setor atingiram 629 milhões de euros, quase o dobro de 2020, enquanto a receita fiscal gerada chegou aos 276 milhões de euros, incluindo impostos e contribuições sociais.
Setor estratégico e altamente exportador
O relatório sublinha que Portugal se destaca no contexto europeu pela especialização em culturas de elevado valor acrescentado, como framboesa, amora e mirtilo, ao contrário de outros países produtores mais centrados no morango.
Apesar de não competir em escala com grandes produtores mundiais, o setor português aposta na qualidade e diferenciação, o que tem reforçado a sua presença nos mercados externos.
Apelo a estabilidade e investimento
Os responsáveis pela Lusomorango e pela Driscoll’s destacam que o crescimento da fileira exige políticas públicas estáveis, investimento em infraestruturas, melhor gestão da água, simplificação administrativa e maior qualificação da mão de obra.
O CEO da Lusomorango, Joel Vasconcelos, sublinha que o setor “é mais do que produção agrícola”, defendendo uma visão estratégica para garantir crescimento sustentável.
Também a Driscoll’s reforça a importância da inovação, da consistência e da sustentabilidade como fatores-chave para a consolidação de Portugal como origem de referência mundial na produção de pequenos frutos.