O método “Heróis da Fruta”, promovido pela Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil e já implementado em escolas do distrito de Beja, acaba de alcançar reconhecimento científico internacional, após a publicação de um estudo na prestigiada revista European Journal of Nutrition.
A investigação, conduzida pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, demonstra que este programa é eficaz no aumento e manutenção do consumo diário de fruta entre crianças dos 3 aos 11 anos, consolidando-o como uma ferramenta relevante no combate à má nutrição infantil.
Resultados comprovados pela ciência
O estudo conclui que o método “Heróis da Fruta” consegue gerar mudanças significativas em pouco tempo. Antes da sua implementação, cerca de 70% das crianças não atingiam as recomendações mínimas de consumo de fruta. Após a aplicação do programa, com atividades diárias de apenas 15 minutos:
- O número de crianças a cumprir as metas diárias aumentou 44,6%
- 52,7% das crianças que quase não consumiam fruta passaram a fazê-lo regularmente
- Alunos que já tinham participado anteriormente demonstraram hábitos mais consistentes desde o início
Segundo a investigadora principal, Raquel Martins, a escola revela-se um ambiente determinante para a criação de hábitos saudáveis, especialmente através de estímulos repetidos e positivos.
Método mais curto, mesma eficácia
Outro dos pontos destacados pela investigação é a rapidez dos resultados. A maioria das mudanças ocorre durante o primeiro mês de intervenção, o que levou à reformulação do programa, que passou de 12 para apenas 5 semanas, mantendo a eficácia.
Para Mário Silva, este reconhecimento internacional valida aquilo que já era evidente no terreno:
“Os ‘Heróis da Fruta’ são uma ferramenta pedagógica eficaz e acessível para promover hábitos alimentares saudáveis nas escolas.”
Impacto em Beja e no país
O programa, que já passou por várias escolas no distrito de Beja, insere-se numa estratégia mais ampla de promoção da saúde infantil em contexto escolar. Desde o seu lançamento em 2011, a iniciativa já envolveu mais de um milhão de crianças em todo o país.
Além disso, o estudo introduz uma abordagem científica inovadora ao utilizar modelos de análise de sobrevivência (Kaplan-Meier) para compreender a formação de hábitos alimentares, reforçando a importância de intervenções estruturadas e baseadas em evidência.
Este reconhecimento internacional coloca o método português na linha da frente das boas práticas em saúde pública, destacando o papel das escolas — incluindo as do distrito de Beja — como agentes essenciais na prevenção de doenças crónicas como a obesidade e a diabetes.























