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Hélder Guerreiro apresenta grandes linhas de desenvolvimento e desafios estruturantes para o concelho de Odemira

O Presidente da Câmara Municipal de Odemira, Hélder Guerreiro, aproveitou a sessão de abertura de mais uma edição da FACECO (Feira de Atividades Culturais e Económicas do Concelho de Odemira) para fazer um retrato detalhado do estado do concelho. No seu discurso, o autarca evidenciou a feira como o “grande ponto de encontro e montra da identidade local”, mas focou-se sobretudo nos desafios de crescimento, nos investimentos em curso e nas parcerias estratégicas que estão a moldar o futuro do território.

O “boom” do investimento público e a reabilitação de escolas

O município de Odemira vive atualmente um momento de forte dinamismo ao nível das infraestruturas. Hélder Guerreiro revelou que o concelho “tem mais de 20 milhões de euros em obras a decorrer“, antecipando que “este será o ano em que se vão concretizar mais investimentos de sempre no território”. Entre os projetos mais ambiciosos “está a candidatura recentemente entregue à CCDR Alentejo para a requalificação de três escolas que transitavam do Estado para a gestão municipal”. Trata-se de um investimento previsto de 30 milhões de euros para modernizar estes estabelecimentos de ensino. Apesar das alterações e cortes orçamentais que ocorreram a meio do processo a nível governamental, o autarca manifestou “uma forte expectativa de que o acordo estabelecido com o Governo em 2023 seja integralmente cumprido e que a candidatura seja aprovada a 100%”.

Crescimento demográfico e o desafio orçamental na Educação

A atratividade de Odemira traduz-se em números populacionais expressivos, confirmados pelos dados mais recentes do INE que colocam o concelho como o segundo mais populoso de todo o Alentejo. Este crescimento demográfico e a sua enorme diversidade trazem, contudo, uma acrescida complexidade na gestão dos serviços públicos, com especial impacto na educação. Hélder Guerreiro partilhou que, “se há poucos anos o concelho registava cerca de 3.000 alunos, hoje em dia esse número subiu para os 4.000 estudantes, o que obriga à abertura constante de novas salas de aula ano após ano”. Perante este cenário, o presidente da câmara lançou um apelo à CCDR para “apoiar o município”, revelando que “a autarquia assume anualmente um défice superior a 3 milhões de euros na educação, resultante da diferença entre as verbas transferidas pelo Estado e o investimento real que o município faz com gosto para garantir as condições escolares”.

A crise de médicos na saúde e o alojamento para profissionais deslocados

Um dos alertas mais de maior ênfase do discurso centrou-se no setor da saúde. O autarca revelou que cerca de 60% dos médicos que exercem no concelho são tarefeiros. Com a entrada em vigor da nova legislação que limita o recurso a estes profissionais a partir de 31 de dezembro, Odemira enfrenta um risco sério de perder capacidade nos serviços de urgência e no apoio às famílias. Hélder Guerreiro apelou diretamente ao Governo para que seja criada uma exceção para o território, de forma a salvaguardar o acesso aos cuidados de saúde. A par da saúde, a atração e fixação de outros profissionais essenciais (como professores, técnicos de finanças e da segurança social) tem sido um desafio devido à escassez de habitação. Para mitigar o problema, a autarquia contratualizou com o Estado a aquisição de um edifício destinado a alojamento temporário, com capacidade para 38 camas para técnicos deslocados, solicitando ainda ao Ministério da Habitação que Odemira seja integrada nas soluções de alojamento pensadas para Sines, dada a proximidade e o impacto laboral direto em freguesias como Vila Nova de Milfontes.

Preservação da biodiversidade e a recuperação de Raças Autóctones

A FACECO serve também de palco para celebrar o património natural e genético da região, com destaque para duas raças autóctones. O presidente elogiou o trabalho da nova direção da Caprimira no resgate da Cabra Charnequeira, um esforço que permitiu reabrir o livro genealógico e recuperar quase mil animais que estavam esquecidos. De igual modo, celebrou o regresso da Vaca Garvonesa ao concelho, fruto de uma parceria com Ourique e a ACOS. Hélder Guerreiro lembrou com saudosismo “o seu início de carreira profissional ligado a esta raça” e lamentou a sua quase extinção no passado após ter sido exportada para a Abóboda. O autarca destacou que “a reintrodução da Garvonesa não é apenas importante para a produção de carne, mas assume um papel crucial como ativo agrícola na limpeza de terrenos e na prevenção de fogos florestais”.

A gestão de água e o alerta ecológico na albufeira de Santa Clara

A sustentabilidade ambiental e a gestão de recursos hídricos mereceram uma atenção muito especial. O presidente da câmara assinalou que a Albufeira de Santa Clara se encontra cheia desde abril de 2026, tendo atingido um nível muito próximo da sua cota máxima. Contudo, apesar da abundância de água armazenada, o Rio Mira continua seco a jusante. Manifestando preocupação com a segurança e com o caudal ecológico do rio, o autarca pediu a intervenção da CCDR para coordenar uma reunião urgente com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a Direção-Geral de Agricultura e a Associação de Beneficiários de Mira. O objetivo é delinear um plano que prepare a albufeira para o próximo inverno e que defina um modelo de gestão de água a dois anos (à semelhança do Alqueva), garantindo simultaneamente que o rio volte a ter água corrente.

Parceria estratégica com Mértola para o restauro da natureza

A encerrar a sua intervenção, Hélder Guerreiro anunciou a assinatura de um memorando de entendimento com a Câmara Municipal de Mértola para o desenvolvimento de um projeto conjunto focado no Plano Nacional de Restauro da Natureza. Esta iniciativa visa intervir e valorizar o ecossistema partilhado do norte da Serra do Caldeirão (Mú). O autarca defendeu convictamente que estes territórios não podem ser encarados a partir de Lisboa como “espaços vazios” destinados apenas à instalação massiva de painéis solares ou eólicas, mas sim como ecossistemas vivos e dinâmicos que produzem inovação, conhecimento e riqueza real para todo o país.

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