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Ex-presidente da Câmara de Beja revela contacto da Lufthansa sobre escola de pilotos

Paulo Arsénio diz que a Lufthansa considerava Beja uma solução de excelência para instalar uma escola de pilotos militares da NATO. A escolha acabou por recair em Tancos, num investimento de 500 milhões de euros associado à privatização da TAP.

O antigo presidente da Câmara Municipal de Beja, Paulo Arsénio, revelou na sua página pessoal de Facebook ter sido contactado pela Lufthansa, em junho de 2025, sobre a possibilidade de instalar na cidade uma escola de formação de pilotos militares e civis.

A revelação surge depois de o Governo ter anunciado, a 14 de outubro, que a proposta da empresa alemã para a aquisição de 44,9% do capital da TAP prevê um investimento de 500 milhões de euros numa nova escola de pilotos em Tancos, no distrito de Santarém.

Segundo Paulo Arsénio, que liderou o município entre 2017 e 2025 e é atualmente vereador do PS, o contacto foi feito através de um e-mail enviado a 18 de junho de 2025 por Maximilian Kiewel, responsável da Lufthansa pela Política de Defesa e Relações com a NATO.

Na mensagem, citada pelo ex-autarca numa publicação nas redes sociais, Beja era apresentada como uma solução de excelência para acolher uma escola de pilotos de nova geração da Força Aérea Alemã e da NATO.

O responsável da Lufthansa terá ainda destacado o potencial do projeto para a criação de postos de trabalho e para o desenvolvimento económico do concelho.

Cerca de um mês depois, a 16 de julho de 2025, uma comitiva da empresa alemã, liderada por Maximilian Kiewel, reuniu-se com a Câmara Municipal de Beja. De acordo com Paulo Arsénio, nessa ocasião foi discutida a possibilidade de instalar em Portugal duas estruturas de formação: uma destinada a pilotos militares da NATO, inicialmente alemães, e outra, de menor dimensão, para formação de pilotos da própria Lufthansa.

O antigo presidente da autarquia afirma que a empresa apresentou Beja como uma forte possibilidade para acolher estas valências e manifesta agora surpresa com a escolha de Tancos.

Paulo Arsénio reconhece, contudo, que existem limitações à instalação de escolas de pilotagem na Base Aérea n.º 11, em Beja, argumentando que o projeto então discutido teria características distintas, por estar vocacionado sobretudo para a formação de pilotos militares.

O ex-autarca defende, por isso, que sejam esclarecidas as razões que levaram à escolha de Tancos em detrimento de Beja, considerando que algo terá mudado entre julho de 2025 e outubro de 2026.

A decisão tem motivado também críticas no Baixo Alentejo. A Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL) considerou que a escolha de Tancos representa uma desvalorização estratégica do Aeroporto de Beja.

Em sentido contrário, o deputado do PSD eleito pelo círculo de Beja, Gonçalo Valente, apontou a utilização permanente do espaço aéreo de Beja pela Força Aérea Portuguesa como um constrangimento à formação intensiva de pilotos.

A localização da futura escola de pilotos, integrada no processo de privatização da TAP, continua assim a suscitar debate sobre as oportunidades de investimento e desenvolvimento económico para o Baixo Alentejo.

Rádio Castrense / Com Lusa

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