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Comissões de Utentes do Litoral Alentejano apresentam Caderno Reivindicativo para 2027 e exigem reforço urgente dos Serviços Públicos

A Coordenadora das Comissões de Utentes do Litoral Alentejano apresentou o seu Caderno Reivindicativo para 2027, exigindo ao Governo e aos partidos com assento na Assembleia da República uma mudança de rumo nas políticas para a região. O documento reflete a contestação da população perante a degradação dos serviços públicos fundamentais, com forte destaque para a área da Saúde, Transportes e Serviços Postais.

As Comissões de Utentes alertam para limitações graves no acesso aos serviços essenciais e defendem o investimento e o reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS) universal e gratuito, da Escola Pública e da rede de transportes, além da reverter a privatização dos CTT.

Situação crítica na Saúde com 35 mil utentes sem médico O setor da saúde reúne algumas das denúncias mais preocupantes. Segundo a estrutura representativa, existem atualmente 35 mil utentes sem médico de família na região, a extensão de saúde de Vila Nova de Milfontes continua inacabada há mais de um ano e falta cerca de uma centena de enfermeiros em toda a Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA).

As Comissões denunciam ainda o recurso a empresas de trabalho temporário para assegurar a urgência do Hospital do Litoral Alentejano (HLA), a ausência de médicos especialistas na Urgência Pediátrica e episódios gravíssimos em que grávidas da região chegam a dar à luz durante o transporte de emergência na estrada.

Para mitigar a crise, a lista de exigências inclui:

  • Atribuição de médico e enfermeiro de família a todos os utentes, reduzindo a lista de cada equipa de 1 900 para 1 500 utentes;
  • Redução de taxas e contratação de médicos dentistas (um para cada 2 500 utentes);
  • Construção de uma Maternidade no HLA e a colocação de pediatras no serviço de urgência 24 horas por dia;
  • Reabertura do Serviço de Atendimento Permanente (SAP 24h) de Grândola, da Unidade de Convalescença da ULSLA e das extensões de saúde de São Francisco da Serra e Canal Caveira;
  • Regime de dedicação exclusiva e incentivos remuneratórios para fixar profissionais de saúde.

Rede viária degradada e falhas nos transportes e CTT A mobilidade e as infraestruturas rodoviárias também motivam fortes críticas. É apontada a falta de transporte ferroviário de passageiros em localidades como Alcácer do Sal, Amoreiras-Gare, Luzianes-Gare, Pereiras-Gare e na linha Sines/Ermidas-Sado, além da ausência de terminal rodoviário em Grândola. Adicionalmente, troços do IC1 (Palma-Alcácer do Sal) e das Estradas Nacionais 120 e 253 encontram-se descritos como intransitáveis ou gravemente degradados.

Relativamente aos serviços postais, é exigida a renacionalização dos CTT e o reforço imediato de carteiros, denunciando-se que a distribuição de correio em algumas zonas da região ocorre apenas uma vez por semana ou de cinco em cinco dias.

Exigências abrangem Justiça, Energia e Portagens O documento reivindicativo estende-se a outros setores da vida socioeconómica, reivindicando a construção do IP8 (Sines-Vila Verde de Ficalho) sem portagens e o fim de todas as portagens na região, a redução do IVA da eletricidade e gás para 6% no consumo doméstico, a diminuição das comissões bancárias (incluindo o fim de taxas no Multibanco) e o reforço de oficiais de justiça com a reabertura do Tribunal de Alcácer do Sal.

As Comissões de Utentes do Litoral Alentejano prometem continuar a mobilização no terreno em defesa dos direitos das populações, exigindo uma resposta célere da tutela para travar o desmantelamento das respostas públicas na região.

Foto: Município de Santiago do Cacém

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