O acesso a cuidados de saúde oral continua a apresentar fortes desigualdades no território nacional, com o Baixo Alentejo entre as regiões onde a disponibilidade de médicos dentistas é mais reduzida. Na região existe um profissional por cada 2.028 habitantes, enquanto no Alentejo Litoral o rácio é ainda mais elevado, com um dentista para 2.287 pessoas.
Os números fazem parte do estudo “Os Números da Ordem”, divulgado pela Ordem dos Médicos Dentistas, que analisa a evolução da profissão entre 2005 e 2025 e evidencia diferenças significativas na distribuição destes profissionais pelo país.
A realidade é bastante diferente nos grandes centros urbanos. Na Área Metropolitana do Porto existe um médico dentista por cada 557 habitantes e na Grande Lisboa um por cada 827. Valores que contrastam com a recomendação da Organização Mundial da Saúde, que aponta para um profissional por cada 1.500 a 2.000 habitantes.
Em declarações à agência Lusa, o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Miguel Pavão, considera que Portugal tem profissionais em número excessivo, mas enfrenta dificuldades na sua distribuição geográfica e na fixação dos mesmos em determinadas regiões.
O responsável defende, por isso, a necessidade de um planeamento que considere as necessidades das populações, as diferenças entre territórios e as condições de exercício da profissão.
O estudo revela também que, nos últimos 20 anos, o número de médicos dentistas com inscrição ativa em Portugal quase triplicou, passando de pouco mais de cinco mil para perto de 14 mil.
Contudo, este crescimento é acompanhado por um aumento expressivo das saídas do país. As inscrições suspensas subiram de 532, em 2005, para 2.583, em 2025, sendo que mais de 70% estão relacionadas com a emigração. França, Itália, Reino Unido e Espanha estão entre os principais destinos.
Perante esta realidade, Miguel Pavão alerta que Portugal está a formar profissionais que acabam por exercer a atividade noutros países.
Outra tendência identificada é o aumento de médicos dentistas estrangeiros. Em 2025, representaram 32% das novas inscrições na Ordem, quando duas décadas antes correspondiam a apenas 8,5%. O bastonário associa esta evolução, entre outros fatores, ao valor das propinas praticadas em Portugal, comparativamente com outros países europeus.
No retrato atual da profissão, as mulheres representam mais de 63% dos médicos dentistas em atividade. Também a idade média dos profissionais aumentou, passando de cerca de 36 anos, em 2005, para 42 anos em 2025, um indicador do envelhecimento progressivo da classe.
Rádio Castrense / Lusa



















