17.3 C
Castro Verde Municipality
Quinta-feira, Maio 21, 2026

Últimas Noticias

Alentejo lidera taxa de pobreza em Portugal

O Alentejo registou em 2025 a taxa de risco de pobreza mais elevada do país, fixando-se nos 17,9%, acima da média nacional de 15,4%, segundo o relatório Portugal, Balanço Social 2025, elaborado por investigadores da Nova SBE. O estudo volta a evidenciar fortes desigualdades regionais em Portugal, apesar da melhoria global dos indicadores sociais nos últimos anos.

Os Açores surgem logo a seguir, com uma taxa de pobreza de 17,3%, mas destacam-se sobretudo nos indicadores de privação material e social. Em 2024, 17,4% da população açoriana encontrava-se nessa situação, o valor mais elevado entre todas as regiões e mais de seis pontos percentuais acima da média nacional.

Em sentido oposto, a Grande Lisboa apresenta a menor incidência de pobreza, com 12,2%, embora continue a registar níveis mais elevados de privação associados à poluição, sujidade e ruído nas zonas residenciais. Já na Península de Setúbal, os problemas ligados a criminalidade, violência e vandalismo surgem acima da média nacional, afetando 14,6% dos residentes.

Desigualdades persistentes


O relatório sublinha que as desigualdades territoriais não se explicam apenas pelos rendimentos, refletindo-se também nas condições de vida, no acesso a serviços e na qualidade da habitação. No caso dos Açores, os investigadores identificam ainda dificuldades mais severas no acesso a uma alimentação adequada e a cuidados de saúde.

Cerca de 6,9% da população açoriana referiu não conseguir assegurar uma refeição proteica de dois em dois dias, enquanto 6,7% reportou dificuldades no acesso a consultas ou tratamentos médicos não dentários. A região autónoma apresenta também o coeficiente de Gini mais elevado do país, com 33,8, sinal de maior desigualdade na distribuição dos rendimentos.

Na Madeira, a taxa de pobreza é ligeiramente inferior à dos Açores, mas a privação material e social continua entre as mais elevadas do país, revelando fragilidades persistentes nas condições de vida.

Impacto dos apoios

O estudo destaca ainda que o efeito das transferências sociais varia de forma significativa entre regiões. Nos Açores e na Madeira, os apoios sociais reduzem a taxa de pobreza em cerca de oito pontos percentuais, o que evidencia uma maior dependência destas prestações para mitigar situações de vulnerabilidade económica. Na Grande Lisboa e na região Centro, essa redução é de cerca de quatro pontos percentuais.

Os investigadores consideram que estes dados mostram fragilidades estruturais persistentes e defendem políticas públicas diferenciadas, ajustadas às especificidades de cada território. Apesar da trajetória de descida da pobreza em Portugal, o relatório conclui que o retrato regional continua “muito desigual”, com o Alentejo a assumir em 2025 a posição mais frágil no plano nacional.

Rádio Castrense / Lusa

Foto: Rádio Castrense

Latest Posts

Não perder