A Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL) manifestou publicamente a sua oposição à escolha do aeródromo de Tancos, no distrito de Santarém, para a instalação de uma escola de pilotos, num investimento global estimado em 500 milhões de euros.
Em comunicado divulgado na sequência do anúncio governamental de 14 de outubro, a CIMBAL considera que esta decisão representa uma oportunidade perdida para o desenvolvimento da região e uma desvalorização estratégica do aeroporto de Beja.
O projeto está associado ao processo de privatização da TAP, no âmbito do qual a companhia aérea alemã Lufthansa deverá ficar com 49,9% do capital da transportadora portuguesa.
Na posição assumida pela estrutura intermunicipal, que representa os 13 municípios do distrito de Beja, o aeroporto de Beja reúne condições que justificariam a escolha do Baixo Alentejo para acolher este investimento.
A CIMBAL destaca que Beja dispõe de um aeroporto estruturado e em funcionamento, com utilização civil e militar, enquanto o aeródromo de Tancos tem uma utilização exclusivamente militar e necessita de obras de requalificação e adaptação para novos fins, incluindo a eventual operação civil.
Outro dos argumentos apresentados prende-se com a experiência acumulada em Beja na formação e treino de pilotos militares, nomeadamente durante a presença de tropas alemãs na Base Aérea. Segundo a CIMBAL, as infraestruturas existentes poderão também permitir atividades de formação de pilotos de aviação comercial, bem como operações de manutenção e estacionamento de aeronaves.
A comunidade intermunicipal defende que estas condições permitiriam aproveitar de imediato as infraestruturas disponíveis, evitando investimentos adicionais de adaptação.
Na nota de imprensa, a CIMBAL considera que o processo de privatização parcial da TAP constituía uma oportunidade para reforçar o papel do aeroporto de Beja, valorizar a capital do Baixo Alentejo e promover o desenvolvimento económico de toda a região.
A decisão do Governo é, por isso, recebida com desapontamento e protesto pelos municípios representados pela estrutura intermunicipal, que critica a opção por Tancos em detrimento de Beja.
A CIMBAL sustenta que a escolha anunciada deixa novamente o Baixo Alentejo de fora de um investimento que, na sua perspetiva, poderia contribuir para reforçar a importância estratégica do aeroporto e criar novas oportunidades para a região.
A Rádio Castrense já conseguiu chegar a fala com o presidente da CIMBAL, António José Brito, que não esconde nem cala a “insatisfação dos treze municípios”, perante mais esta medida do governo, que vira assim mais uma vez as costas ao Baixo Alentejo.





















