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Ourique: Homem de 93 anos que matou utente do Lar de Garvão vai ser julgado por homicídio qualificado

O homem de 93 anos que, em dezembro de 2025, atacou três utentes do Lar de Garvão, no concelho de Ourique, provocando a morte de um deles, vai responder perante um coletivo de juízes por homicídio qualificado, homicídio qualificado na forma tentada e ofensa à integridade física qualificada.

Segundo a acusação do Ministério Público de Ourique, o arguido, Manuel Francisco Guerreiro, terá agido com intenção de tirar a vida aos três idosos que atacou naquela noite. Os factos ocorreram a 20 de dezembro, poucas horas depois de o homem ter sido admitido na instituição.

De acordo com os elementos do processo, o nonagenário entrou no lar pelas 12h00 desse dia, na sequência de um pedido urgente apresentado pela família na véspera. No momento da admissão, não terão sido transmitidas à instituição informações clínicas relevantes, para além de referências a anteriores deslocações ao serviço de urgência hospitalar.

A investigação aponta que a revolta por ter sido colocado no lar, associada a problemas do foro psiquiátrico, poderá ter estado na origem dos ataques. O homem residia anteriormente no Monte Saraiva, no concelho de Ourique, e não conhecia as vítimas.

Barra de apoio utilizada como arma

A agressão aconteceu cerca das 22h00. Manuel Guerreiro terá retirado do quarto uma barra metálica de apoio à mobilidade, que estava fixada na casa de banho, utilizando-a para atingir dois homens que partilhavam o mesmo quarto.

Uma das vítimas, de 68 anos, sofreu várias pancadas na cabeça e no rosto. O segundo utente, de 97 anos, sofreu graves lesões na cabeça, face e região cervical, acabando por morrer depois de ter sido transportado para o Hospital de Beja.

Já no corredor da instituição, o arguido terá atacado uma terceira utente, uma mulher de 90 anos, que conseguiu defender-se e sofreu apenas ferimentos numa mão. A intervenção desta idosa terá também impedido que outros residentes fossem atingidos.

O homem ainda terá ameaçado uma funcionária do lar, empunhando a barra metálica e gritando: «Vou acabar contigo». A situação só terminou quando vários trabalhadores conseguiram imobilizá-lo e isolá-lo numa divisão utilizada como arrecadação.

Arguido sujeito a internamento preventivo

Apesar da idade avançada, o arguido vai ser submetido a julgamento. O Ministério Público considera que a gravidade dos crimes imputados não permite recorrer à suspensão provisória do processo.

Manuel Francisco Guerreiro encontra-se em internamento preventivo num hospital psiquiátrico, ou estabelecimento adequado, em substituição da prisão preventiva.

Admissão urgente e ausência de informação clínica

Na sequência dos acontecimentos, Sérgio Delgado, responsável pelo arrendamento do espaço, explicou publicamente que a entrada do utente tinha acontecido a título excecional e por solicitação urgente dos familiares.

Segundo o responsável, no momento da admissão não foi facultada qualquer informação clínica, para além dos motivos relacionados com anteriores deslocações ao hospital.

O caso levantou também questões sobre as condições de funcionamento da instituição, que, na altura dos acontecimentos, não dispunha de licença de funcionamento emitida pela Segurança Social.

Sérgio Delgado justificou então a situação com a falta de emissão da licença, alegando que o processo estava pendente devido a questões administrativas e burocráticas, apesar de, segundo afirmou, a Segurança Social ter conhecimento da situação há mais de um ano.

Instituição inaugurada em 2012

O edifício tinha sido inaugurado a 18 de dezembro de 2012 como Unidade de Cuidados Continuados, numa cerimónia presidida pelo então secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas.

A construção representou um investimento superior a um milhão de euros, dos quais 721.552,90 euros foram comparticipados pela Administração Regional de Saúde do Alentejo.

Entretanto, Sérgio Delgado, que também exercia funções como vereador na Câmara Municipal de Castro Verde, renunciou ao mandato autárquico, depois de ter sido eleito nas eleições de 12 de outubro de 2025. Na altura, justificou a decisão com razões relacionadas com os seus princípios e valores pessoais e políticos.

O processo judicial relativo aos acontecimentos no Lar de Garvão segue agora para julgamento.

Teixeira Correia – Jornalista – Lidador Notícias

Foto: Teixeira Correia

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