Zero defende “critérios claros” e debate público no planeamento das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis
Susana Fonseca, em declarações à Rádio Castrense, sublinha que a transição energética exige compromisso social e o planeamento equilibrado de infraestruturas centralizadas e descentralizadas.
A transição energética para fontes limpas é inevitável, mas exige um planeamento rigoroso, participado e transparente. A posição foi defendida por Susana Fonseca, da associação ambientalista Zero, em declarações à Rádio Castrense, a propósito do debate em torno das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (ZAER).
Embora reconheça a urgência de aumentar a capacidade instalada de energias limpas para substituir os combustíveis fósseis, a responsável alerta que o consumo de energia deve ser ponderado.
“Obviamente nós precisamos de maior produção de renovável […], mas claro que nós defendemos sempre, enquanto organização, que devemos ser criteriosos no uso que fazemos da energia. […] Produzir energia, mesmo de fontes renováveis, também tem impacto”, afirmou Susana Fonseca.
Para a dirigente da Zero, o caminho passa por otimizar o potencial já existente antes de avançar indiscriminadamente para grandes projetos no terreno.
“Temos ainda muito por explorar em termos de comunidades de energia, em termos de produção descentralizada, […] utilizando mais os telhados, estruturas já construídas”, referiu. Contudo, admite que essas soluções não serão suficientes por si sós: “Também vamos precisar de zonas onde vamos produzir de forma centralizada energia renovável.”
É no estabelecimento destas zonas de produção em larga escala que reside a necessidade de regras transparentes. Susana Fonseca considera ser “fundamental que existam critérios e que sejam claras as condições em que estes projetos se podem desenvolver”, garantindo um equilíbrio entre as necessidades energéticas do país e a proteção dos territórios.
Um dos pontos centrais abordados pela responsável da Zero prende-se com a alteração do paradigma de produção e com a perceção dos impactos ambientais por parte das populações locais.
“Nós até agora essencialmente temos vivido com energia dos combustíveis fósseis […] que eram explorados maioritariamente fora do nosso território. Portanto, os impactos não estavam ao pé de nós”, explicou. “O que acontece agora quando nos voltamos para as energias renováveis […] é que estes impactos começam a aproximar-se do nosso dia a dia.”
Diante deste novo cenário, a ambientalista apela ao diálogo e à inclusão das comunidades no processo decisório para evitar crispações e encontrar consensos.























