O Agrupamento de Uniões de Organizações de Produtores para a Sanidade Animal (OPSA) enviou uma carta ao Ministro da Agricultura e Mar a reclamar maior equidade na atribuição de apoios aos prejuízos causados pelos surtos de Língua Azul em 2025, denunciando que vários produtores ficaram excluídos das ajudas.
O agrupamento, que integra oito organismos de defesa sanitária, entre os quais a ACOS enquanto membro da União dos Agrupamentos de Defesa Sanitária do Alentejo, considera positivo o diploma que prevê apoios — a Portaria nº 227/2026, de 20 de maio — mas entende que as medidas são insuficientes face aos prejuízos reais registados no setor.
Na carta enviada ao Governo, os subscritores alertam para situações em que produtores ficaram de fora por razões alheias à sua responsabilidade, nomeadamente questões administrativas, falta de vacinas e critérios de elegibilidade que excluem explorações afetadas por surtos em anos diferentes.
As organizações explicam que a campanha de vacinação teve um arranque tardio, apenas a 12 de junho, devido a atrasos na constituição do agrupamento e na formalização de protocolos com a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV). A este fator juntaram-se constrangimentos na disponibilidade de vacinas, com ruturas de stock e quantidades insuficientes, especialmente no caso do serotipo 8.
Segundo os responsáveis, também os atrasos na autorização de contratos para análises laboratoriais dificultaram a calendarização das vacinações, levando a que muitos produtores não conseguissem vacinar os seus animais atempadamente ou, em alguns casos, não o pudessem fazer.
Perante este cenário, o agrupamento defende que devem ser incluídos nos apoios os produtores que só conseguiram vacinar após a ocorrência dos surtos, bem como aqueles que foram afetados por diferentes focos da doença em anos consecutivos.
Os subscritores sublinham ainda que existem explorações com níveis significativos de mortalidade e morbilidade em mais do que um surto, mesmo tendo cumprido os programas de vacinação, considerando injusta a exclusão de apoios a quem já beneficiou de medidas anteriores.
As organizações apelam, assim, à revisão dos critérios de elegibilidade, defendendo que a atribuição de apoios deve refletir a realidade vivida no terreno e garantir justiça para todos os produtores afetados.



















