O projeto do Parque Eólico das Cachenas, previsto para o concelho de Odemira, não vai avançar. A decisão foi comunicada pelos promotores em reunião com a Câmara Municipal de Odemira, confirmou o município em comunicado divulgado esta semana.
Desde a apresentação da proposta, o projeto enfrentou uma forte oposição da população local, assim como de várias entidades e associações do território. Entre os opositores estiveram a Câmara Municipal de Odemira, a Junta de Freguesia de Vila Nova de Milfontes, a Rota Vicentina, a Associação Casas Brancas, o movimento Juntos pelo Sudoeste e diversas organizações ambientalistas.
A mobilização popular intensificou-se no início deste ano, com destaque para a sessão pública de esclarecimento promovida pela Junta de Freguesia de Vila Nova de Milfontes, a 7 de janeiro de 2026, que reuniu cerca de uma centena de participantes. A consulta pública do projeto terminou com aproximadamente 700 exposições submetidas, enquanto uma petição online pela suspensão da iniciativa recolheu 5.595 assinaturas.
Durante o processo, foi ainda criado o grupo de trabalho “SOS Malhão”, através de uma plataforma online, com o objetivo de informar a população, articular ações junto da comunicação social e defender os interesses ambientais e económicos da região.
Em vários pareceres, sustentados nas avaliações da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a autarquia de Odemira manifestou-se contra o projeto, considerando que o mesmo não traria benefícios concretos para a população local. Segundo o município, a instalação do parque eólico poderia comprometer a paisagem natural e afetar negativamente a atratividade turística de uma zona fortemente dependente deste setor económico.
A Câmara Municipal considera agora que a decisão representa “um momento importante de afirmação da vontade coletiva” do concelho, especialmente da comunidade de Vila Nova de Milfontes, sublinhando o papel determinante da sociedade civil no desfecho do processo.
O cancelamento do projeto é visto pelas entidades opositoras como uma vitória da participação cívica e da defesa da sustentabilidade ambiental e económica do território.



















