O deputado do Partido Socialista e coordenador do grupo parlamentar na Comissão de Agricultura e Pescas, Pedro do Carmo, manifestou-se “extremamente preocupado” com a falta de apoios do Governo após uma visita de dois dias a várias regiões do país afetadas pelas recentes intempéries.
A iniciativa levou os deputados a deslocarem-se às regiões do Vale do Mondego, Alcácer do Sal, Alenquer e Santarém, com o objetivo de avaliar os prejuízos provocados pelo mau tempo das últimas semanas e ouvir autarcas, agricultores e agentes locais.
No balanço da visita, Pedro do Carmo afirmou que o cenário encontrado no terreno é preocupante, sublinhando que os apoios prometidos ainda não chegaram às populações afetadas. Segundo o deputado, apesar de o Governo ter garantido que ninguém ficaria sem ajuda, muitas famílias e empresários continuam sem qualquer apoio após terem visto casas, negócios e culturas gravemente afetados.
Durante a visita a Alcácer do Sal, os deputados reuniram com a presidente da autarquia, representantes da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, da Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Sado, da Associação de Agricultores de Alcácer do Sal, do Agrupamento de Produtores de Arroz do Vale do Sado e da Associação de Produtores Florestais do Vale do Sado. Segundo dados apresentados, os prejuízos no concelho rondam já os 30 milhões de euros, sendo cerca de 10 milhões em danos para particulares e aproximadamente 20 milhões em infraestruturas municipais, valores que ainda não incluem as perdas no setor agrícola.
Após a reunião, os deputados visitaram o Cais Palafítico da Carrasqueira, estrutura parcialmente destruída pela forte agitação marítima e pelos ventos associados às recentes tempestades. No local, ouviram os pescadores da comunidade da Carrasqueira, que alertaram para o facto de apenas 16 dos cerca de 29 profissionais terem sido elegíveis para os apoios existentes, devido aos critérios definidos.
A deslocação incluiu ainda uma visita aos campos agrícolas de Valada do Ribatejo, no concelho do Cartaxo, bem como reuniões com agricultores e representantes da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo. Os deputados estiveram também na Adega Cooperativa da Labrugeira, onde reuniram com o presidente da Câmara de Alenquer, a Associação de Viticultores de Alenquer e a Cooperativa Agrícola de Alenquer. De acordo com Pedro do Carmo, as vinhas da região sofreram danos significativos e, em muitos casos, será necessário proceder ao arranque e substituição integral das plantações, defendendo a abertura de novas candidaturas ao programa VITIS – Medida de Apoio à Reestruturação e Reconversão de Vinhas.
No primeiro dia da visita, os deputados reuniram com os presidentes das câmaras de Coimbra, Montemor-o-Velho, Soure, Figueira da Foz e Leiria, bem como com responsáveis da Agência Portuguesa do Ambiente e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, além de representantes de várias cooperativas agrícolas e da Associação dos Beneficiários da Obra de Fomento Hidroagrícola do Baixo Mondego.
Uma das principais preocupações prende-se com a necessidade de reparação urgente do canal de rega do Mondego, que colapsou após as cheias registadas no início de fevereiro. Segundo os responsáveis locais, estão em causa cerca de 12 mil hectares de terrenos agrícolas, metade destinados à produção de arroz e metade à cultura de milho, envolvendo aproximadamente 2.400 famílias. Caso a sementeira não se concretize, poderá estar em risco a produção de cerca de 70 mil toneladas de milho e 30 mil toneladas de arroz, representando um volume de negócios estimado em 50 milhões de euros.
Os deputados visitaram ainda o dique do Amor e reuniram-se com a Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Lis. Apesar da garantia dada pela ministra do Ambiente de que o canal de rega do Mondego deverá estar operacional até 1 de maio, Pedro do Carmo assegura que o Partido Socialista acompanhará de perto a evolução da situação.
Em jeito de balanço final, o deputado socialista sublinhou que, apesar das promessas e compromissos assumidos pelos governantes, os apoios continuam sem chegar ao terreno, reforçando a preocupação com a situação das populações e dos setores económicos afetados pelas intempéries.

















