As chuvas intensas registadas nos últimos dias provocaram um aumento significativo do volume de água armazenada nas barragens do Monte da Rocha e de Santa Clara, situadas no distrito de Beja, que há um ano apresentavam níveis muito reduzidos. No caso do Monte da Rocha, no concelho de Ourique, os dados da Associação de Regantes e Beneficiários de Campilhas e Alto Sado (ARBCAS) indicam que o armazenamento atual é de 71,6%, equivalente a cerca de 64,3 milhões de metros cúbicos de água.
A ARBCAS, com sede em Alvalade, no concelho de Santiago do Cacém, gere também as barragens de Campilhas e de Fonte Serne, situadas no distrito de Setúbal, que registavam hoje níveis de 95,3% e 94,2%, respetivamente. Segundo o diretor-adjunto da associação, Ilídio Martins, “estamos a assistir à transição de um período de seca para um ciclo mais húmido”.
A albufeira do Monte da Rocha abastece publicamente os concelhos de Ourique, Almodôvar e Castro Verde, além de partes de Mértola e Odemira, e assegura a rega de cerca de 1.800 hectares agrícolas nos concelhos de Ourique e Santiago do Cacém, no âmbito do aproveitamento hidroagrícola do Alto Sado. Ilídio Martins sublinhou que os níveis atuais de armazenamento permitem garantir a atividade agrícola na região por “alguns anos”, graças a uma gestão cada vez mais criteriosa da água. “Este período de seca obrigou-nos a alterar o paradigma, e agora a utilização é mais eficiente. A partir de agora, teremos água por muitos anos”, afirmou.
No concelho de Odemira, a barragem de Santa Clara registava hoje um armazenamento de 78%, cerca de 380 milhões de metros cúbicos. Esta infraestrutura garante não só o abastecimento público, mas também a irrigação do Aproveitamento Hidroagrícola do Mira, que abrange 12.000 hectares nos concelhos de Odemira e Aljezur, no distrito de Faro. Carlos Chibeles, diretor executivo da Associação de Beneficiários do Mira (ABM), destacou que este volume armazenado permite encarar o futuro com mais tranquilidade e assegura o abastecimento de água nos próximos dois a três anos, podendo ainda levar à flexibilização de algumas restrições agrícolas.
Apesar do aumento das albufeiras, as chuvas recentes têm causado dificuldades para os agricultores. Carlos Chibeles explicou que as precipitações e o encharcamento dos terrenos tornam praticamente impossível realizar operações culturais essenciais nesta altura. De forma semelhante, Ilídio Martins alertou que “os campos mais baixos estão todos alagados” e que algumas searas de inverno podem não suportar vários dias de água acumulada. “É bom termos as barragens cheias, mas gostaríamos que fosse de outra forma. Seria útil que houvesse alguns dias de pausa na chuva para que os agricultores pudessem trabalhar e recuperar o que ainda não foi danificado”, acrescentou.
Rádio Castrense / Lusa
Foto: Rádio Castrense















