Projeto VIVER recebe mais de 519 mil euros de financiamento do Alentejo 2030 e pretende colmatar a falta de respostas de alojamento de emergência no distrito.
A Associação ESTAR, instituição particular de solidariedade social (IPSS) sediada em Beja, viu aprovada a candidatura do Projeto VIVER, que permitirá criar uma resposta estruturada de acompanhamento e alojamento de emergência para pessoas em situação de sem-abrigo no concelho.
A aprovação foi decidida a 21 de outubro pela Comissão Diretiva do Programa Regional Alentejo 2030. O projeto representa um investimento elegível de 610.804,60 euros, dos quais 519.183,90 euros são comparticipados pelo Fundo Social Europeu Plus, correspondendo a 85% do financiamento, enquanto os restantes 91.620,70 euros serão assegurados pela contrapartida nacional.
Com uma duração prevista de 36 meses, a operação decorrerá entre novembro de 2026 e dezembro de 2029.
Resposta para uma necessidade identificada no distrito
Segundo a Associação ESTAR, o distrito de Beja enfrenta uma elevada incidência de pessoas em situação de sem-abrigo, a par de uma oferta limitada de alojamento de emergência. Os dados nacionais mais recentes referidos pela Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo (ENIPSSA), relativos a dezembro de 2023, identificavam mais de 1.300 pessoas nesta situação no distrito.
O Projeto VIVER pretende responder a esta realidade através de duas medidas complementares: a criação de equipas pluridisciplinares de gestores de caso, responsáveis pelo acompanhamento continuado de cada pessoa através de planos individuais de intervenção, e a criação da REDE — Residência de Emergência e Desenvolvimento.
Esta estrutura permitirá disponibilizar alojamento temporário em condições dignas de habitação e segurança, acompanhado de apoio técnico e social, enquanto são construídos percursos individuais de autonomia.
Projeto alinhado com a estratégia nacional
A iniciativa enquadra-se na Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo 2025-2030 e prevê uma articulação direta com o Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo (NPISA) do concelho de Beja.
Em reação à aprovação, Madalena Palma, presidente da direção da Associação ESTAR, considera que esta decisão representa um passo importante para o território.
«Durante anos, a nossa Equipa de Rua identificou e acompanhou pessoas em situação de sem-abrigo no distrito que, à noite, não tinham para onde ir. Agora, teremos finalmente a possibilidade de fechar essa cadeia — identificar, acompanhar e, quando necessário, acolher, com dignidade. É um passo que o distrito há muito pedia», afirma.
Associação promete articulação com parceiros locais
A Associação ESTAR compromete-se a assegurar transparência na comunicação dos resultados, articulação nos processos de referenciação e acompanhamento, abertura à colaboração com os parceiros locais e prestação de contas através de relatórios periódicos nas reuniões do Conselho Local de Ação Social (CLAS) e do NPISA de Beja.
Nas próximas semanas, a instituição prevê iniciar a contratualização formal da operação com a Autoridade de Gestão do Alentejo 2030 e preparar as equipas que irão assegurar a execução do projeto.
Com esta aprovação, a Associação ESTAR pretende reforçar a resposta social no distrito de Beja, criando condições para que as pessoas em situação de sem-abrigo possam beneficiar de acompanhamento continuado, alojamento temporário e apoio na construção de percursos de autonomização.
A Associação ESTAR é uma IPSS reconhecida como Pessoa Coletiva de Utilidade Pública, com intervenção em todo o distrito de Beja. Desenvolve cinco projetos estruturantes — Equipa de Rua, MARMITA, SER, RAÍZES e ESTAR Loja — dirigidos a pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade social.
Foto: À do Sul