O Dia da Sobrecarga do Planeta assinala-se esta quinta-feira, 30 de julho, data em que a humanidade esgota os recursos biológicos que a Terra consegue regenerar num ano, mantendo-se a tendência de consumo insustentável, alertou a associação ambientalista ZERO.
Em comunicado, a ZERO explica que, a partir desta data, a humanidade passa a viver em défice ecológico, recorrendo a recursos naturais que apenas deveriam ser utilizados a partir de 1 de janeiro de 2027.
Apesar de o Dia da Sobrecarga ocorrer quase uma semana mais tarde do que em 2025, quando foi registado a 24 de julho, a associação esclarece que esta alteração resulta da revisão dos dados científicos utilizados no cálculo do indicador e não de uma diminuição da pressão exercida sobre o ambiente.
Segundo a organização, a principal revisão incidiu sobre a estimativa da capacidade dos oceanos para absorver carbono, o que levou ao adiamento da data em cerca de oito dias relativamente à estimativa anterior.
A ZERO sustenta que os acontecimentos registados nos últimos meses demonstram que a pressão sobre os sistemas naturais continua a aumentar, destacando os episódios de calor extremo, os incêndios florestais na América do Norte e na região mediterrânica, as secas prolongadas que afetaram a produção agrícola e as cheias provocadas por precipitação intensa.
De acordo com a associação, estes fenómenos, potenciados pelas alterações climáticas, têm vindo a provocar perdas humanas, económicas e ambientais crescentes, evidenciando que o défice ecológico tem impactos diretos na sociedade.
A organização considera que o atual modelo económico, assente no crescimento contínuo e no consumo intensivo de recursos naturais, continua a ultrapassar a capacidade de regeneração do planeta, comprometendo os direitos e as expectativas das gerações futuras.
Como exemplo de medidas capazes de adiar o Dia da Sobrecarga, a ZERO refere que a aplicação de uma taxa global de cerca de 90 euros por tonelada de carbono emitida poderia atrasar esta data em 63 dias.
A associação acrescenta que uma redução de 50% no consumo de carne, substituindo essas calorias por uma alimentação vegetariana, permitiria adiar o Dia da Sobrecarga em 17 dias, dez dos quais devido à redução das emissões de metano.
A ZERO defende, por isso, uma aceleração das políticas de redução da pegada ecológica e uma transição para uma economia do bem-estar, que assegure qualidade de vida dentro dos limites ecológicos do planeta.
Os dados históricos mostram que o Dia da Sobrecarga tem vindo a ocorrer cada vez mais cedo desde a década de 1970, passando de 3 de dezembro, em 1973, para 30 de julho em 2026, embora a associação refira que, na última década, se verifica uma desaceleração dessa tendência.
A organização sublinha, contudo, que a estabilidade observada nos últimos anos não traduz uma melhoria da situação ambiental, uma vez que resulta sobretudo da atualização dos dados utilizados no cálculo do indicador e não de uma redução efetiva da Pegada Ecológica global.