A Guarda Nacional Republicana (GNR) registou 193 crimes de burla através da usurpação de identidade de forças de segurança e órgãos de polícia criminal, entre janeiro de 2024 e 31 de maio de 2026. Os burlões fazem-se passar por agentes e inspetores para enganar cidadãos e comerciantes, recorrendo a ameaças, falsas investigações e exigências de pagamentos imediatos.
De acordo com os dados divulgados pela GNR, foram contabilizadas 69 ocorrências em 2024, 76 em 2025 e outras 48 nos primeiros cinco meses de 2026.
Os distritos do Porto, com 33 casos, Lisboa, com 23, e Setúbal, com 18, concentram o maior número de ocorrências participadas. Cerca de 75% dos crimes aconteceram durante o dia, com maior incidência às quintas e sextas-feiras.
As burlas ocorrem sobretudo no interior de residências particulares e em estabelecimentos comerciais e de restauração. Entre as 172 vítimas identificadas, destacam-se as pessoas com idades entre os 51 e os 64 anos, seguindo-se a faixa etária dos 41 aos 50 anos.
Falsos inspetores da ASAE e da Polícia Judiciária entre os principais casos
Segundo a GNR, os suspeitos recorrem frequentemente à falsa identidade de inspetores da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e da Polícia Judiciária (PJ). Desde 2024, foram registados 69 casos envolvendo falsos elementos da ASAE e 67 relacionados com falsos inspetores da PJ.
Há ainda 22 ocorrências com falsos elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP) e 17 com indivíduos que se fizeram passar por militares da GNR.
O telefone e o telemóvel são os principais meios de contacto, tendo sido utilizados em 142 dos 193 casos. Em algumas situações, os criminosos recorrem à tecnologia Caller ID Spoofing, que permite falsificar o número apresentado no ecrã, fazendo-o coincidir com o contacto verdadeiro de uma força de segurança.
Falsas coimas e supostas investigações bancárias
Entre os métodos identificados estão as falsas fiscalizações a estabelecimentos comerciais, com ameaças de coimas elevadas ou encerramento, seguidas de pedidos de pagamento imediato para alegadamente resolver a situação.
Noutros casos, os burlões afirmam que as vítimas estão envolvidas em investigações criminais ou ataques informáticos às suas contas bancárias, convencendo-as a transferir dinheiro para supostas contas de segurança.
Existem também contactos em que os suspeitos alegam que um familiar provocou um acidente grave ou foi detido, exigindo dinheiro para resolver a situação.
GNR deixa recomendações para prevenir burlas
Perante este tipo de crime, a GNR aconselha a população a não efetuar pagamentos imediatos nem fornecer dados pessoais ou bancários por telefone.
As autoridades recomendam ainda que seja confirmada a identidade dos alegados agentes através dos canais oficiais e que se desligue perante chamadas com exigências urgentes de dinheiro, contactando diretamente as autoridades.
A GNR apela também à denúncia de todas as situações suspeitas, sublinhando que a comunicação destes crimes é essencial para acompanhar a sua evolução e prevenir novas vítimas.