O Partido Socialista de Almodôvar respondeu esta quarta-feira às críticas do PSD sobre a solução encontrada para a crise na Freguesia de Senhora da Graça de Padrões, defendendo que o acordo com o movimento Unidos pela Freguesia permitiu assegurar o funcionamento dos órgãos autárquicos e evitar a realização de eleições intercalares e afirma, em tom irónico, que “o coelho saiu da toca”.
A posição surge depois de o PSD de Almodôvar ter manifestado “profunda discordância” com a solução política encontrada na freguesia, considerando que a palavra deveria ter sido devolvida aos eleitores através de novas eleições.
Num comunicado, o PS sustenta que os seus eleitos decidiram contribuir para que a freguesia não ficasse sem órgãos em funcionamento na sequência da renúncia de vários eleitos do movimento Unidos pela Freguesia.
A crise teve início no final de agosto, quando vários eleitos da Junta e da Assembleia de Freguesia renunciaram aos mandatos. O presidente da Junta, Gabriel Guerreiro, foi a exceção e manteve-se em funções. A situação provocou a perda de quórum da Assembleia de Freguesia e colocou a realização de eleições intercalares entre os cenários possíveis.
Na sequência da crise, Gabriel Guerreiro anunciou um entendimento com o Partido Socialista, com o objetivo de assegurar a continuidade do funcionamento da Junta de Freguesia. O acordo alterou também o equilíbrio de forças na Assembleia Municipal de Almodôvar, passando, segundo a Rádio Castrense, de uma situação de 11-11 para 12 elementos alinhados com o PS e 11 com o PSD.
PS invoca resultados das autárquicas
No comunicado agora divulgado, os socialistas recordam os resultados das eleições autárquicas de 2025 e sublinham que, na eleição para a Assembleia de Freguesia de Senhora da Graça de Padrões, a candidatura Unidos pela Freguesia elegeu quatro membros e o PS três. Os resultados oficiais registaram 119 votos para a UPF, correspondentes a 59,5%, e 72 votos para o PS, equivalentes a 36%.
O PS salienta, contudo, que os mandatos pertencem aos eleitos legitimamente escolhidos pelos cidadãos e não aos partidos, defendendo que nenhum eleito deve ser obrigado a abandonar o cargo para alterar a composição política dos órgãos.
Os socialistas acrescentam que, na eleição para a Câmara Municipal realizada na freguesia, o PS obteve 46% dos votos, contra 43,5% do PSD. Estes números são também confirmados pelos resultados eleitorais publicados.
Críticas e perguntas ao PSD
Na resposta, o PS questiona a posição assumida pelo PSD e coloca várias perguntas sobre eventuais entendimentos políticos que poderiam estar relacionados com a crise da freguesia e com uma possível candidatura à Junta.
Os socialistas afirmam que não pretendem fazer acusações, mas dizem considerar necessário que também as opções políticas do PSD sejam explicadas publicamente.
O PS rejeita ainda qualquer responsabilidade pelas renúncias que desencadearam a crise, afirmando que não provocou as demissões nem retirou o quórum à Assembleia de Freguesia.
A estrutura socialista defende que a solução encontrada pelos seus eleitos constitui uma decisão política destinada a garantir a estabilidade e o funcionamento dos órgãos da freguesia.
PSD defende eleições
O PSD de Almodôvar, por sua vez, considera que a solução encontrada não corresponde à composição resultante das eleições autárquicas de 2025 e defende que os cidadãos deveriam voltar a pronunciar-se. A estrutura social-democrata sustenta que a UPF venceu a eleição para a Assembleia de Freguesia com quatro mandatos, contra três do PS, e entende que a atual configuração dos órgãos não traduz a vontade expressa nas urnas.
A estrutura social-democrata também questiona o impacto do acordo na Assembleia Municipal, considerando que a solução encontrada alterou a correlação de forças naquele órgão. Esta interpretação é apresentada pelo PSD como uma posição política sobre as consequências do acordo.
PS garante oposição ao executivo municipal
Na sua tomada de posição, o Partido Socialista afirma ainda que continuará a exercer o papel de oposição na Câmara e na Assembleia Municipal de Almodôvar, através da fiscalização, apresentação de propostas e intervenção sobre as decisões do executivo.
O PS critica igualmente a gestão do atual executivo municipal em áreas como os recursos humanos, a organização dos serviços, a execução das políticas municipais e a execução orçamental.
Sobre a situação de Senhora da Graça de Padrões, os socialistas reafirmam que os seus eleitos optaram por apoiar uma solução que permita manter os órgãos da freguesia em funcionamento.
A polémica entre PS e PSD surge, assim, depois de ultrapassada a crise institucional que ameaçou provocar eleições intercalares na freguesia e que acabou por dar origem a um entendimento político entre os eleitos do PS e o presidente da Junta, Gabriel Guerreiro.
A Rádio Castrense tentou ouvir Fábio Eugénio, presidente da concelhia do PS de Almodôvar, mas este optou por não prestar declarações, remetendo “toda a informação para o comunicado já emitido”.