Um consórcio liderado pelo grupo chinês Chint avançou com a fase inicial de avaliação ambiental de um ambicioso conjunto de projetos de energia renovável a instalar nos concelhos de Portel e Vidigueira, no distrito de Beja, com uma capacidade prevista de cerca de 1.300 megawatts (MW).
Denominado “Cluster Alqueva-Portel”, o plano integra várias tipologias de produção energética, incluindo centrais solares fotovoltaicas, sistemas de armazenamento em baterias e parques eólicos, numa lógica de complementaridade e gestão integrada da produção.
O projeto encontra-se atualmente na etapa de definição do âmbito do Estudo de Impacte Ambiental, que está em consulta pública, representando o arranque formal do processo de licenciamento.
De acordo com a informação disponível, o empreendimento inclui três unidades solares de grande dimensão: São Gião, com 563 MW, Tapada Branca, com 580,5 MW, e Monte Santos, com 111 MW. Em paralelo, está prevista a instalação de sistemas de armazenamento energético associados a estas centrais, totalizando 358 unidades de baterias, com uma potência de 895 MW e capacidade de armazenamento de 1.790 MW.
O plano energético será ainda reforçado por dois parques eólicos, compostos por sete aerogeradores, com uma capacidade combinada de 50 MW.
Este conjunto representa apenas parte da capacidade já assegurada pela Chint junto da REN – Redes Energéticas Nacionais, no âmbito de acordos recentes. No total, a empresa garantiu 2.520 MW de ligação à rede elétrica, distribuídos por oito projetos no Baixo Alentejo, correspondendo a mais de 20% da potência contratada neste processo.
Presente na Europa desde 2016, a Chint Solar desenvolve atualmente projetos em oito países e já opera em Portugal, nomeadamente com centrais fotovoltaicas em Albergaria-a-Velha e Pias.
Embora o investimento global não tenha sido divulgado, sabe-se que o desenvolvimento deste cluster remonta a 2019. Para assegurar a ligação à rede elétrica, está prevista a construção de três linhas de muito alta tensão, com extensões entre 7,4 e 8,9 quilómetros.
A área de implantação situa-se na bacia hidrográfica do Guadiana e, apesar de não coincidir com zonas classificadas, inclui áreas consideradas sensíveis para determinadas espécies, como aves de rapina. O levantamento ambiental identifica ainda a presença de montado de sobro e azinho, bem como vegetação mediterrânica e áreas agrícolas.
Nesta fase preliminar, não está quantificado o número de árvores potencialmente afetadas, mas admite-se a possibilidade de impacto em espécies protegidas, dependendo da configuração final do projeto. Nesses casos, será necessária autorização do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.
Os promotores asseguram que serão implementadas medidas de mitigação ambiental, incluindo recuperação das áreas intervencionadas e eventuais compensações por desflorestação.
Quanto aos solos, a caracterização inicial aponta para terrenos com baixa aptidão agrícola, ainda que o estudo refira a crescente presença humana e processos de artificialização na região.
O projeto segue agora para a próxima fase do processo ambiental, com a elaboração do Estudo de Impacte Ambiental, caso a proposta em consulta venha a ser validada pelas entidades competentes.