A VASP – Distribuição e Logística vai ser ouvida na próxima terça-feira, 20 de janeiro, na 12.ª Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, sobre a eventual necessidade de ajustamentos na distribuição de imprensa em oito distritos do interior do país, confirmou hoje à Lusa o administrador Rui Moura. A audição decorre na sequência de um requerimento apresentado pelo grupo parlamentar do Chega.
Em dezembro de 2025, a VASP tinha informado que estava a avaliar possíveis mudanças na distribuição diária de jornais nos distritos de Beja, Évora, Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Viseu, Vila Real e Bragança. A empresa justificou que atravessa “uma situação financeira particularmente exigente”, resultante da queda contínua das vendas de imprensa e do aumento dos custos operacionais, mas reafirmou o seu compromisso com o acesso universal à informação, considerado essencial para a coesão territorial, igualdade de oportunidades e cidadania democrática.
Recentemente, a VASP reuniu-se com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), que aguarda a divulgação de medidas do Governo para os media antes de tomar uma posição definitiva sobre a distribuição.
Rui Moura destacou o esforço da VASP em manter lojas tradicionais, como quiosques, papelarias e tabacarias, promovendo a modernização e a diversificação de produtos, com iniciativas como o 1.º Encontro Nacional de Pontos de Venda, realizado em 2025. O administrador lembrou que o número de pontos de venda tem diminuído desde 2012, com uma quebra mais significativa durante a pandemia, embora Portugal ainda conte com cerca de 66 pontos de venda por 100 mil habitantes, um número relevante a nível europeu.
A empresa alertou que a remuneração paga pelos editores não cobre os custos logísticos da distribuição. Segundo Rui Moura, a rede de distribuição de imprensa noturna, que garante que os jornais cheguem aos pontos de venda todos os dias do ano, não tem paralelo em Portugal, e criar uma rede semelhante aumentaria os custos nas atuais condições de mercado.
O administrador sublinhou que os incentivos do Estado, como acontece noutros países europeus, podem ser centrais, regionais ou locais, e podem ser diretos à distribuição ou indiretos, através dos pontos de venda ou dos editores. Caso surja um concurso público de apoio à distribuição, a VASP afirma que participará.
“É provavelmente o único serviço público em Portugal que não é remunerado pelo Estado”, acrescentou Rui Moura, defendendo a necessidade de novos leitores e do regresso de aquisições de imprensa por entidades privadas e públicas que deixaram de comprar jornais durante a pandemia. A empresa espera uma “solução concreta” a breve prazo para a situação da distribuição de imprensa no país.














