A reciclagem de embalagens em Portugal cresceu apenas 1% nos primeiros nove meses de 2026, apesar do reforço do financiamento do sistema de recolha seletiva e triagem. Segundo a Sociedade Ponto Verde (SPV), foram encaminhadas para reciclagem 373 182 toneladas de embalagens recolhidas nos ecopontos, mais 4 194 toneladas do que no período homólogo de 2025.
No mesmo período, o financiamento das operações aumentou 9,2 milhões de euros, correspondendo a uma subida de 5,9%. Este acréscimo surge após um reforço de 90 milhões de euros em 2025 face a 2024. Com a execução prevista para 2026, estima-se que o investimento acumulado entre 2024 e 2026 quase duplique.
A CEO da SPV, Ana Trigo Morais, questiona a eficácia deste investimento e defende maior transparência na aplicação dos recursos. “Estamos a investir cada vez mais num sistema que continua a apresentar resultados manifestamente insuficientes”, afirma, sublinhando a necessidade de identificar os constrangimentos e garantir melhorias concretas, num contexto económico exigente também para as empresas que financiam o sistema.
Em 2025, Portugal registou uma taxa de retoma de resíduos de embalagens de 60,5%, abaixo da meta de 65% atualmente em vigor. Para inverter esta tendência, a SPV defende a criação de um registo único e de uma base de dados comum, bem como de um Observatório Nacional de Resíduos, que permita acompanhar o desempenho do setor através de indicadores fiáveis e comparáveis.
Por material, o papel e cartão cresceram 4% e as embalagens de cartão para alimentos líquidos (ECAL) aumentaram 3%. O vidro registou uma subida de apenas 1%. Já o plástico apresentou uma quebra global de 4%, apesar do crescimento de 10% no filme plástico e de 4% no polietileno de alta densidade (PEAD), utilizado em embalagens de champôs e detergentes. O PET, presente nas garrafas de bebidas, recuou 2%, assim como outras categorias de embalagens de plástico, enquanto o alumínio diminuiu 5%.
A SPV defende o reforço da eficiência operacional através de ecopontos com sensores, sistemas de recolha porta a porta mais eficazes e modelos pay as you throw, em que o pagamento depende da quantidade de resíduos produzidos. A entidade destaca ainda os 19,4 milhões de euros investidos em inovação e investigação e desenvolvimento ao longo dos seus 30 anos de atividade.
A organização apela, por fim, ao Governo para acelerar as medidas previstas no programa Terra +, defendendo que o aumento do financiamento deve traduzir-se em melhores operações, melhores níveis de serviço e resultados concretos na reciclagem de embalagens.





















