Beja regista o maior crescimento da procura por quartos em todo o país, enquanto Évora enfrenta uma quebra da oferta. Portalegre contraria a tendência regional, com descida da procura e aumento da oferta.
A procura por quartos para arrendar está a aumentar de forma significativa em várias cidades do Alentejo, num cenário marcado pela pressão sobre a oferta e pela subida dos preços. Os dados relativos ao segundo trimestre de 2026, divulgados pelo portal idealista, mostram comportamentos distintos entre Beja, Évora e Portalegre, mas confirmam a crescente importância do arrendamento de quartos como alternativa habitacional.
Beja lidera crescimento da procura
Beja destaca-se como a cidade portuguesa onde a procura por quartos mais cresceu no segundo trimestre deste ano. Em termos homólogos, o aumento atingiu 160%, o maior registado a nível nacional.
A subida supera a verificada em importantes centros urbanos e universitários, como Coimbra, onde a procura cresceu 120%, e Porto, com um aumento de 104%.
A maior procura teve também impacto nos preços. O valor mediano de um quarto em Beja aumentou 12%, passando para 280 euros por mês. Apesar da subida, a cidade continua entre os municípios portugueses onde é possível encontrar quartos por menos de 300 euros mensais.
Évora com menos oferta e rendas mais elevadas
Em Évora, a pressão sobre o mercado de quartos é igualmente significativa. A procura aumentou 87% face ao mesmo período do ano passado, enquanto a oferta disponível diminuiu 10%.
O desequilíbrio entre procura e oferta refletiu-se nos preços, que subiram 6%. A renda mediana de um quarto atingiu os 370 euros mensais, o valor mais elevado entre as três capitais de distrito alentejanas.
A dinâmica assume particular relevância numa cidade com forte presença universitária, onde o arrendamento de quartos representa uma solução habitacional importante para estudantes e jovens trabalhadores.
Portalegre contraria tendência regional
Portalegre apresenta uma realidade diferente. No segundo trimestre de 2026, a procura por quartos caiu 19%, enquanto os preços registaram uma descida de 4%.
Ao mesmo tempo, a oferta disponível aumentou 35%, criando um cenário de maior disponibilidade de quartos no mercado.
Com uma renda mediana de 240 euros mensais, Portalegre mantém-se entre as cidades portuguesas mais acessíveis para quem procura um quarto, apenas atrás da Guarda, com 210 euros, e de Bragança, com 220 euros.
Procura nacional cresce e oferta diminui
Os dados do idealista mostram ainda que a pressão sobre o mercado de quartos não é exclusiva do Alentejo. A nível nacional, a procura aumentou 27% em termos homólogos, enquanto a oferta caiu 11%.
Apesar do aumento da procura, os preços nacionais mantiveram-se relativamente estáveis, com uma subida de apenas 1%. Lisboa continua a apresentar o valor mediano mais elevado, de 550 euros mensais, seguida do Porto, com 450 euros.
Os números evidenciam, assim, um mercado cada vez mais pressionado pela falta de oferta. No Alentejo, as diferenças entre os municípios mostram que a evolução não é uniforme, mas Beja e Évora enfrentam uma crescente dificuldade em acompanhar o aumento da procura.
Para estudantes, jovens trabalhadores e outros residentes que procuram alternativas à habitação tradicional, a partilha de casa assume, desta forma, um peso cada vez maior no mercado de arrendamento regional.
























