A população nacional de sisão sofreu um declínio dramático de cerca de 90% nos últimos 20 anos, estando agora em risco iminente de extinção. Os dados constam do 4.º Censo Nacional de Sisão, recentemente divulgados, e estão a gerar forte preocupação entre organizações ambientalistas.
Em reação aos resultados, entidades como a SPEA-BirdLife, LPN, WWF-Portugal, Palombar, FAPAS, GEOTA e ZERO apelam à adoção urgente de medidas de emergência para travar o desaparecimento desta espécie em território nacional.
“Os resultados deste censo são alarmantes, mas infelizmente não são inesperados. Estamos a assistir ao desaparecimento do sisão perante os nossos olhos no curto prazo”, alerta Julieta Costa, da SPEA-BirdLife, criticando a ausência de medidas eficazes por parte do Estado português no cumprimento das obrigações da Diretiva Aves.
Outrora comum nas planícies alentejanas, o sisão (Tetrax tetrax) é hoje cada vez mais raro. Dependente de habitats agrícolas extensivos, esta ave nidifica no solo, tornando-se especialmente vulnerável à intensificação agrícola. A substituição de culturas tradicionais por olival e amendoal intensivos, o aumento do pastoreio e a redução das áreas de pousio têm contribuído para o colapso da espécie.
Além disso, a crescente instalação de infraestruturas, como linhas elétricas, aumenta o risco de mortalidade. Outras aves estepárias, como a abetarda e o tartaranhão-caçador, apresentam também declínios acentuados.
O censo, coordenado pelo BIOPOLIS/CIBIO, estima atualmente a população em apenas 1736 machos, confirmando a tendência de queda acentuada desde 2006.
João Paulo Silva, coordenador do estudo, lembra que a espécie já tinha sido classificada como “Criticamente em Perigo” em 2022, sublinhando que o declínio continua mesmo em áreas protegidas.
Também a transformação da paisagem agrícola agrava o problema. Nas últimas décadas, Portugal perdeu cerca de 80% da área de cultivo de cereais, reduzindo-se de 900 mil hectares para cerca de 190 mil em 2023, o que afeta diretamente o habitat do sisão.
Perante este cenário, as organizações defendem a criação de um plano de emergência nacional, que inclua proteção das áreas de reprodução, incentivo à agricultura extensiva, controlo de infraestruturas e programas de conservação da espécie.
Sem medidas imediatas, alertam os especialistas, a extinção do sisão em Portugal poderá tornar-se uma realidade a curto prazo.



















