A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) reclama uma implementação célere da medida extraordinária de apoio aos viticultores da Região Demarcada do Douro (RDD), aprovada através da Resolução do Conselho de Ministros n.º 177/2026. A organização defende que o apoio deve chegar rapidamente aos produtores, sobretudo aos pequenos e médios viticultores, e ter valores ajustados aos actuais custos de produção.
A CNA considera que a criação desta medida é resultado da luta desenvolvida pelos viticultores durienses nos últimos meses, destacando a concentração realizada no passado dia 7 de Agosto, junto às instalações do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), no Peso da Régua. A iniciativa foi promovida pela CNA e pela AVADOURIENSE – Associação dos Viticultores e da Agricultura Familiar Douriense.
Para a Confederação, a aplicação da medida deve assentar em “critérios simples e claros”, de forma a evitar atrasos e garantir que o apoio chega efectivamente aos produtores que dele necessitam.
A organização sublinha, contudo, que o apoio extraordinário não resolve os problemas estruturais da viticultura duriense. Entre as medidas que considera prioritárias estão a proibição da compra de uvas abaixo dos custos de produção, o aumento do quantitativo do benefício, a utilização de aguardente regional na produção de vinho do Porto e a criação de condições para que a Casa do Douro possa intervir na estabilização dos stocks e dos preços.
A CNA anunciou ainda que dará continuidade às iniciativas junto dos viticultores da região, estando prevista a realização de um plenário após a vindima de 2026.
CNA alerta para dificuldades em todo o país
A Confederação considera que os problemas enfrentados pelos viticultores não se limitam à Região Demarcada do Douro. No sector do vinho, aponta os efeitos da liberalização do comércio internacional, que, na sua perspectiva, tem favorecido os grandes produtores em detrimento dos pequenos viticultores e da produção nacional.
A CNA manifesta solidariedade com os produtores de todo o país, que enfrentam o aumento dos custos de produção, preços baixos pagos à produção e o impacto da importação de grandes quantidades de vinho a granel.
Entre as principais preocupações está também o agravamento dos preços dos combustíveis e dos fertilizantes. A organização considera insuficiente a resposta do Governo e acusa o Executivo de não estar a responder adequadamente às dificuldades sentidas pela agricultura familiar e pelo mundo rural.
A CNA volta, por isso, a defender a adopção de medidas para regular e reduzir o preço do gasóleo agrícola, bem como a criação de mecanismos que permitam garantir preços mais acessíveis para os fertilizantes.





















