A Barragem do Monte da Rocha, situada no concelho de Ourique, está a escassos 30 centímetros de atingir a cota máxima de armazenamento, devendo começar em breve a descarregar água para o Rio Sado. De acordo com Ilídio Martins, diretor-adjunto da Associação de Regantes e Beneficiários de Campilhas e Alto Sado (ARBCAS), faltam cerca de dois milhões e meio de metros cúbicos para que a albufeira atinja o limite que obriga ao início das descargas.
Segundo os dados disponibilizados pela ARBCAS, entidade com sede em Alvalade, no concelho de Santiago do Cacém, que gere ainda outras quatro barragens da região, a infraestrutura encontrava-se hoje com 97% da sua capacidade preenchida, o que corresponde a aproximadamente 99,5 milhões de metros cúbicos de água armazenada. Tendo em conta a precipitação prevista para esta noite, a primeira descarga deverá ocorrer durante o dia de sexta-feira.
A operação será realizada através do descarregador de superfície, estando para já afastada a hipótese de recorrer às comportas de fundo. Ilídio Martins explicou que, nesta fase, o objetivo é maximizar a capacidade de retenção da albufeira para mitigar o risco de cheias a jusante, evitando assim o envio excessivo de caudais para as linhas de água.
Desde 2011 que a Barragem do Monte da Rocha não efetuava descargas para o Sado, sendo agora uma das últimas no país a fazê-lo em 2026, na sequência do mau tempo que tem assolado o território continental. Segundo o responsável, praticamente todas as restantes barragens nacionais já se encontram a libertar água há algum tempo.
A albufeira desempenha um papel fundamental no abastecimento público de água aos concelhos de Ourique, Almodôvar e Castro Verde, estendendo-se ainda a parte dos municípios de Mértola e Odemira, todos no distrito de Beja. Além disso, suporta o regadio de cerca de 1.800 hectares de terrenos agrícolas em Ourique e Santiago do Cacém, integrados no aproveitamento hidroagrícola do Alto Sado.
O cenário atual contrasta fortemente com o registado a 28 de janeiro de 2025, quando a barragem apresentava apenas 13% da sua capacidade, figurando entre as que tinham menor volume de armazenamento no país. A recuperação verificada ao longo do último ano abre agora perspetivas mais favoráveis para os próximos anos, sobretudo para o setor agrícola, reconheceu Ilídio Martins.
Entretanto, prosseguem as obras que irão ligar o sistema do Monte da Rocha ao Alqueva, através da Barragem do Roxo, no concelho de Aljustrel. O investimento, lançado em 2024, ronda os 30 milhões de euros e inclui também a criação do Bloco de Rega de Messejana.
O contexto meteorológico que está na origem do aumento dos níveis de armazenamento tem tido consequências graves a nível nacional. As depressões Kristin, Leonardo e Marta já provocaram 16 vítimas mortais em Portugal, além de centenas de feridos e desalojados. A mais recente vítima foi um homem de 72 anos que caiu, a 28 de janeiro, quando realizava reparações no telhado de uma casa no concelho de Pombal, tendo falecido a 10 de fevereiro nos Hospitais da Universidade de Coimbra.
O mau tempo causou ainda destruição total ou parcial de habitações, empresas e equipamentos, queda de árvores e estruturas, encerramento de estradas, escolas e transportes, bem como falhas no fornecimento de energia, água e comunicações, além de inundações e cheias. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo estão entre as mais afetadas. Perante este cenário, o Governo decidiu prolongar a situação de calamidade até ao dia 15 em 68 concelhos e anunciou um pacote de apoios que pode atingir os 2,5 mil milhões de euros.
Rádio Catsrense / Lusa
Foto: Rádio Castrense

















