A Direção da APROSERPA – Associação de Produtores da Região de Serpa manifestou a sua oposição ao Acordo Comercial entre a União Europeia e o Mercosul, considerando que o entendimento em causa penaliza de forma grave a agricultura do sul da Europa. Para a associação, o acordo representa uma cedência dos interesses agrícolas em troca de benefícios para setores industriais, com consequências particularmente negativas para os produtores nacionais.
Em comunicado, a APROSERPA classifica o acordo como um ataque direto à pecuária, apontando como exemplo a possibilidade de entrada de carne de porco com taxa aduaneira nula. Segundo a associação, esta medida cria um preço de referência artificialmente baixo, sustentado em custos de produção praticados na América do Sul que não podem ser reproduzidos pelos agricultores europeus, colocando-os em clara desvantagem competitiva.
A associação alerta ainda para os impactos profundos na produção de cereais no Alentejo, considerando que o acordo poderá representar o fim da viabilidade deste setor na região. Ao assegurar o fornecimento contínuo de milho a preços reduzidos para a indústria, desaparecem, no entender da APROSERPA, os incentivos à aquisição dos cereais de sequeiro produzidos em território nacional. Sem garantias de escoamento, estas culturas tornam-se economicamente insustentáveis, comprometendo a rotação de culturas e conduzindo ao abandono dos solos alentejanos.
Outro dos riscos identificados prende-se com o aumento do perigo de incêndios rurais. A APROSERPA sustenta que a perda de rentabilidade da pecuária extensiva e da produção cerealífera poderá levar ao abandono das explorações agrícolas e ao fim da gestão de combustível realizada através do pastoreio, agravando as condições para a ocorrência de fogos.
A associação rejeita ainda a ideia de que os produtores europeus estejam devidamente salvaguardados no âmbito deste acordo e considera inaceitável que se permita a entrada no mercado europeu de produtos alimentares que não cumprem os mesmos padrões exigidos aos produtores nacionais. Para a APROSERPA, a aprovação do acordo pelo Parlamento Europeu constitui um atentado à segurança alimentar dos portugueses e levanta sérias questões de ordem ética.














