O presidente da Câmara de Beja justifica a escolha de Tancos com as limitações operacionais da Base Aérea n.º 11 e defende que a aposta estratégica do concelho deve passar pela indústria aeronáutica. O autarca garante que continuará a pressionar o Governo para atrair investimentos para a região.
A Câmara Municipal de Beja “não se revê no comunicado divulgado pela Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL), a 16 de outubro, sobre a escolha de Tancos para instalar a nova escola de pilotos associada à entrada da Lufthansa no capital da TAP”. A posição foi assumida pelo presidente do município, Nuno Palma Ferro, que esclarece que “a autarquia não foi consultada sobre o documento”, apesar de ocupar a vice-presidência daquela entidade.
Numa mensagem deixada nas redes sociais dirigida à população, o autarca reconhece o desagrado manifestado por muitos habitantes perante a decisão, mas considera importante explicar as razões pelas quais a instalação da escola de pilotos em Beja não seria compatível com a atual utilização da Base Aérea n.º 11.
Segundo o presidente da Câmara, “a infraestrutura militar é atualmente a unidade da Força Aérea Portuguesa com maior tráfego aéreo do país, contando com quatro esquadras e cinco frotas sediadas em Beja, estando ainda prevista a chegada de uma quinta frota”.
O autarca bejense argumenta que “a intensa atividade operacional torna difícil compatibilizar a utilização do espaço aéreo com uma escola de pilotos que exige operações frequentes e horários fixos”. Para receber esse projeto, “Beja teria de abdicar de uma parte significativa da atividade da base, cenário que considera inviável e estrategicamente indesejável” sublinha Nuno Palma Ferro.
Em alternativa, “o município pretende apostar no desenvolvimento da indústria aeronáutica”, área que considera poder assumir importância estratégica para o país e para o concelho, frisa o presidente da autarquia de Beja.
Nesse contexto, o autarca destaca o projeto de instalação de uma fábrica da Embraer, já reconhecido como projeto de interesse público e que aguarda uma decisão final. De acordo com o edil, “o investimento poderá criar cerca de 300 postos de trabalho diretos e qualificados”.
O presidente da Câmara garante que “o município tem desenvolvido esforços para criar as condições necessárias à concretização do projeto e promete contestar firmemente qualquer decisão que encaminhe investimentos desta natureza para outras regiões”.
Na mesma mensagem, o autarca aborda ainda outros projetos considerados relevantes para o desenvolvimento do concelho. Relativamente à ligação rodoviária A26, refere que “o projeto de execução foi adjudicado em agosto, seguindo-se a emissão de pareceres e o lançamento do concurso para a obra”. Ainda assim, admite que “a construção não deverá arrancar nos próximos anos”.
Quanto à ferrovia, confirma que a chegada das novas automotoras bimodo à linha de Beja está prevista para 2027.
O presidente do município garante que acompanhará de perto a evolução destes processos e que continuará a exercer pressão junto do Governo central para que Beja seja reconhecida como um centro de oportunidades.
Apesar de “reconhecer o sentimento de frustração de uma região que considera ter sido esquecida durante décadas”, o autarca defende que “é necessário definir prioridades e concentrar esforços nos projetos com maior potencial de transformação económica”.
A mensagem termina com o “compromisso de continuar a trabalhar para atrair investimento, criar emprego qualificado e reforçar a posição de Beja no desenvolvimento do país”.
Fotografia: Rádio Castrense





















