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Almodôvar: Renúncia em massa paralisa Freguesia da Senhora da Graça dos Padrões e força eleições intercalares

A Freguesia de Senhora da Graça dos Padrões, no concelho de Almodôvar, vai ser forçada a realizar eleições intercalares na sequência da renúncia em massa dos eleitos e de parte dos suplentes do movimento independente “Unidos Pela Freguesia”, acompanhados por uma eleita do Partido Socialista (PS). A decisão provocou a perda de quórum na Assembleia de Freguesia e originou uma profunda crise política institucional, com acusações diretas de pressão política e bloqueio de investimentos vitais por parte do Presidente da Junta de Freguesia, Gabriel Tomás Guerreiro.

Num documento explicativo enviado à Rádio Castrense, sob o título “Pelo Futuro de Senhora da Graça dos Padrões: A Responsabilidade Perante a Freguesia”, o Presidente da Junta, Gabriel Guerreiro expressa o seu “mais profundo lamentar” diante daquilo que classifica como uma “decisão deliberada e destrutiva”. Segundo o presidente, a rutura teve origem no seu regresso ao cargo, após se ter visto obrigado a solicitar a suspensão temporária do mandato entre os meses de abril e julho do corrente ano devido a problemas de saúde. O autarca sublinha que “a decisão de afastar-se temporariamente foi tomada de forma transparente e honesta para garantir que o executivo continuasse a funcionar em pleno enquanto recuperava fisicamente para servir a população”.

Contudo, ao retomar as funções para as quais foi democraticamente eleito há menos de um ano, Gabriel Guerreiro afirma ter encontrado um ambiente de “incompreensível hostilidade”. O autarca revela ter sido alvo de acusações desprovidas de qualquer fundamento ou lógica, exemplificando com críticas por não ter parado num café local, por não ter perguntado a um elemento do voluntariado se pretendia uma garrafa de água ou por não ter estado presente numa festa organizada pela Junta precisamente no período em que se encontrava de baixa médica e com o mandato suspenso.

Perante o que considera ser a impossibilidade da oposição em afastar um presidente legitimado nas urnas e sem qualquer irregularidade ou ato danoso cometido no exercício das suas funções, o autarca acusa os membros que renunciaram de terem optado por “abandonar os seus cargos sem qualquer aviso prévio”. Na nota emitida, Gabriel Guerreiro repudia a atitude dos intervenientes, adjetivando-a como um “ato de profunda irresponsabilidade, prepotência e motivação pessoal”, movido por egos e interesses individuais que desrespeitam a vontade do eleitorado. Mais grave ainda, o presidente da Junta denúncia que alguns dos elementos que assinaram a demissão foram alvo de “fortes pressões” através de “telefonemas incessantes” até cederem à renúncia dos seus mandatos.

As consequências desta paralisia política traduzem-se num “prejuízo direto e imediato para a população da freguesia rural, cujos recursos escassos dependem de cada investimento”. Com a transição forçada para um regime de gestão limitada até à tomada de posse de um novo executivo eleito, “fica imediatamente bloqueado o arranque de vários projetos e infraestruturas cruciais”. Entre as perdas confirmadas “está um Apoio ao Investimento no valor de 15.000 euros, verba que estava destinada à aquisição de equipamentos essenciais para o quotidiano do território”.

Além da verba financeira, ficam paralisados os projetos do novo Parque Infantil na Senhora da Graça dos Padrões, o plano de arranjo e valorização dos jardins da freguesia, o alargamento da rede de apartados tanto na localidade-sede como na Semblana, e as empreitadas de pintura e recuperação do Edifício-Sede da Junta de Freguesia e da antiga Escola Primária da Semblana. No plano social, a crise institucional forçou também o cancelamento do Passeio Intergeracional, um evento de convívio amplamente aguardado pelos residentes.

Apesar do cenário de bloqueio e das condicionantes impostas à gestão autárquica, Gabriel Tomás Guerreiro assegura que não abandonará o cargo e que continuará em funções até à realização do ato eleitoral intercalar e consequente posse do novo executivo. O presidente reafirma o seu “compromisso inabalável com a população”, garantindo que prosseguirá o seu trabalho “com dignidade, serenidade e dedicação para assegurar a máxima normalidade nos serviços e salvaguardar os interesses comunitários de Senhora da Graça dos Padrões”.

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