A partir de agosto de 2026, treze Institutos Politécnicos portugueses passam a designar-se Universidades Politécnicas, na sequência da revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES). A mudança é considerada um marco histórico e visa reconhecer a qualidade e a maturidade destas instituições no panorama académico nacional.
Entre as instituições abrangidas estão os politécnicos de Beja, Bragança, Castelo Branco, Cávado e Ave, Coimbra, Guarda, Lisboa, Portalegre, Santarém, Setúbal, Tomar, Viana do Castelo e Viseu. A nova designação aplica-se apenas às entidades que cumpriram critérios rigorosos de avaliação, certificados pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES).
Apesar da alteração de nomenclatura, o modelo de ensino manter-se-á assente numa forte componente prática e aplicada, com ligação direta às necessidades do tecido económico e empresarial e aos territórios onde estas instituições se inserem. O objetivo continua a passar pela valorização da formação orientada para a inovação, o desenvolvimento tecnológico e a transferência de conhecimento.
O presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), Luís Loures, considera que esta evolução representa “um reconhecimento do trabalho de excelência desenvolvido” e evidencia a maturidade científica e pedagógica do setor, bem como a sua crescente capacidade de investigação, sobretudo na vertente aplicada.
Para o responsável, a mudança reforça ainda a competitividade internacional do ensino politécnico e contribui para uma maior equidade entre subsistemas, podendo também impulsionar a revisão das diferenças de financiamento. Luís Loures sublinha igualmente o papel destas instituições na coesão territorial, especialmente em regiões de baixa densidade, onde assumem um papel central no desenvolvimento socioeconómico e cultural.
A nova designação traz também alterações ao nível da governação: os atuais presidentes dos institutos passam a reitores das universidades politécnicas, sendo eleitos diretamente pela comunidade académica.
O novo RJIES prevê ainda um reforço da autonomia das instituições, nomeadamente ao nível orçamental, patrimonial e de gestão. Ainda assim, o CCISP alerta para o persistente subfinanciamento do ensino superior em Portugal, destacando que o investimento nacional se mantém significativamente abaixo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
A adoção da designação “universidade” é vista como um passo estratégico para reforçar a imagem das instituições junto dos jovens e consolidar o seu posicionamento no futuro do ensino superior.























