O Pax Julia – Teatro Municipal de Beja foi palco, na noite de sexta-feira, da gala que marcou o arranque oficial da iniciativa Baixo Alentejo Cidade Europeia do Vinho 2026. O evento assinalou o início de um programa anual dedicado à valorização do vinho, da cultura e do território dos 13 municípios que integram a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL).
Durante a cerimónia realizou-se também a passagem simbólica do título de Cidade Europeia do Vinho, que em 2025 pertenceu à cidade espanhola de Cariñena. O momento reuniu autarcas, produtores, representantes institucionais e agentes ligados aos setores do vinho e do turismo.
Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal de Beja, Nuno Palma Ferro, destacou o papel do vinho como elemento agregador de culturas e pessoas. O autarca sublinhou que cada vinho transporta consigo tradição, história e ligação à terra, defendendo que esta distinção poderá reforçar a visibilidade turística e internacional da região, valorizando o enoturismo, os produtos locais e a identidade cultural do Baixo Alentejo.

Segundo o responsável, a programação agora iniciada irá estender-se até janeiro de 2027 e percorrerá os vários concelhos da CIMBAL, promovendo a diversidade cultural e vitivinícola do território e aproximando produtores e consumidores. “Hoje ligamos o passado que nos orgulha ao futuro que queremos construir”, referiu.
O primeiro secretário da CIMBAL, Fernando Romba, lembrou que a escolha do Baixo Alentejo resultou de um processo competitivo que envolveu outras candidaturas nacionais. Destacou ainda a relevância do setor vitivinícola na economia regional, referindo que o território conta com cerca de 65 produtores, responsáveis por uma fatia significativa da produção de vinho do Alentejo.

Entre os pilares da candidatura estiveram as pessoas, os produtores, a sustentabilidade e o património cultural ligado ao vinho. Neste contexto, foi destacado o vinho de talha, tradição milenar fortemente presente nos concelhos de Cuba e Vidigueira, reconhecida no inventário nacional do património cultural imaterial e atualmente em processo de candidatura à UNESCO.
Durante a apresentação do programa foram também anunciadas várias iniciativas previstas para 2026, entre as quais o Congresso Mundial do Enoturismo Sustentável, agendado para junho em Beja, a presença reforçada do vinho na Ovibeja, bem como eventos culturais e gastronómicos em diferentes concelhos, concertos em adegas, festivais temáticos e atividades ligadas ao turismo no Lago de Alqueva.
Por sua vez, o presidente da CIMBAL, António José Brito, considerou que a distinção representa um marco importante para o território e um reconhecimento da identidade do Baixo Alentejo. O autarca salientou que o vinho faz parte da história e da paisagem da região, refletindo o trabalho de gerações de agricultores, produtores e enólogos.

Também o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Santos, sublinhou o potencial estratégico da iniciativa, defendendo que 2026 deverá ser aproveitado para qualificar a oferta turística e criar novas oportunidades económicas. Para o responsável, o projeto deve ir além da realização de eventos, funcionando como um impulso para atrair investimento e reforçar a internacionalização da região.
A encerrar as intervenções institucionais, Luís Encarnação, da Associação de Municípios Portugueses do Vinho, afirmou que 2026 poderá consolidar o Baixo Alentejo como um dos grandes territórios vitivinícolas da Europa, contribuindo para promover o enoturismo e aumentar a notoriedade internacional dos vinhos portugueses.

A gala apresentada por Nelson Medeiros, da Rádio Castrense, e Luísa Costa, da Câmara Municipal de Beja, marcou, assim, o início oficial de um programa que se prolongará ao longo do ano e que pretende afirmar o Baixo Alentejo como destino de referência no panorama vitivinícola europeu, envolvendo produtores, instituições e comunidades locais numa celebração do vinho, da cultura e da identidade regional.


Fotos: CIMBAL



















