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Sexta-feira, Fevereiro 20, 2026

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APA diz que sul do país tem água armazenada para dois a três anos e admite recordes nas albufeiras

O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, José Pimenta Machado, afirmou que o sul do país dispõe atualmente de água armazenada suficiente para “dois a três anos”, sublinhando que as barragens estão “literalmente cheias” e que Portugal pode bater recordes nacionais de armazenamento já no final de fevereiro.

Em declarações à Agência Lusa, o responsável garantiu que, do ponto de vista da quantidade de água disponível, o país atravessa uma situação de tranquilidade, explicando que os níveis não atingem os 100% apenas porque estão a ser feitas descargas controladas.

De acordo com o boletim semanal das albufeiras divulgado pela APA, Portugal continental registava no início da semana 12.610 hectómetros cúbicos de água armazenada, correspondentes a 95% da capacidade total. A barragem com menor volume era a do Arade, ainda assim com 74%.

José Pimenta Machado destacou que o país viveu uma situação “verdadeiramente excecional”, com chuvas persistentes que afetaram todo o território, de norte a sul, após as tempestades das últimas semanas. Segundo o responsável, não se recorda de todas as bacias hidrográficas estarem simultaneamente cheias.

O presidente da APA sublinhou que a realidade no sul é habitualmente diferente da do norte, mas desta vez também essa região foi fortemente beneficiada pela precipitação. Como exemplo, apontou a barragem de Monte da Rocha, no concelho de Ourique, que esta semana esteve a fazer descargas por se encontrar completamente cheia, algo raro numa infraestrutura que neste século apenas tinha atingido a capacidade máxima em 2011 e que, em anos recentes, registou níveis muito baixos.

Situação semelhante verifica-se noutras albufeiras do Alentejo e do Algarve, onde estruturas que durante a última década raramente ultrapassaram valores reduzidos apresentam agora níveis máximos, evidenciando o caráter excecional do período meteorológico vivido. Em 2024, recordou o responsável, as barragens algarvias tinham água apenas para cerca de cinco meses.

Apesar da melhoria do cenário, José Pimenta Machado reconheceu que a gestão deste período foi particularmente exigente, assumindo que nunca tinha vivido profissionalmente um momento tão difícil. A sucessão de tempestades, o contributo do degelo nas bacias hidrográficas e até os efeitos dos incêndios do verão passado, que reduziram a capacidade de retenção dos solos, contribuíram para o aumento dos caudais e para a complexidade da gestão hídrica.

Ainda assim, o responsável considera que a situação atual permite encarar os próximos anos com maior segurança no abastecimento de água, sobretudo nas regiões que tradicionalmente enfrentam maiores dificuldades.

Rádio Castrense / Lusa

Foto: Rádio Castrense

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