A barragem do Roxo, no concelho de Aljustrel, atingiu a capacidade máxima de armazenamento e já está a escoar água para a ribeira que desagua no rio Sado, confirmou o presidente da associação responsável pela gestão da infraestrutura. António Parreira, líder da Associação de Beneficiários do Roxo, explicou que a descarga está a ser feita através do descarregador de superfície, situado perto da cota 136, uma vez que o reservatório se encontra totalmente cheio. Segundo o responsável, este era um cenário temido, porque a jusante da barragem já se registam cheias de grande dimensão, com impactos significativos no território.
O dirigente adiantou que não estão a ser utilizados os descarregadores de fundo da barragem, inaugurada em 1967 para servir o Aproveitamento Hidroagrícola do Roxo, devido a problemas detetados numa válvula de uma das comportas. A correção desta anomalia só deverá ser possível quando o nível da água descer, o que se prevê apenas para o final do verão. Questionado sobre os efeitos da forte precipitação das últimas semanas, António Parreira revelou que todos os terrenos próximos da barragem e da ribeira se encontram inundados e que as searas plantadas junto ao curso de água já se perderam por completo.
O presidente da associação criticou também a opção da Agência Portuguesa do Ambiente de proceder a descargas na barragem de Alvito, no concelho de Cuba, cuja água acabou por refluir para o Roxo, aumentando a pressão sobre a ribeira e a rede viária. Recordou que a ABR tinha alertado a entidade para o risco de enchimento rápido da barragem e para as consequências nas estradas e nas zonas ribeirinhas, que acabaram por se confirmar. António Parreira reforçou ainda a necessidade de uma limpeza profunda da ribeira do Roxo, intervenção já solicitada à APA. Disse que apenas foi feita uma pequena operação de desobstrução, considerada insuficiente, e criticou o facto de agora se exigir aos agricultores que assumam essa responsabilidade, sublinhando que a falta de limpeza representa um perigo acrescido para as populações.
O episódio na barragem do Roxo surge num contexto mais amplo de danos provocados pelo mau tempo em Portugal, após a passagem das depressões Kristin e Leonardo. Desde a semana passada, registaram‑se treze vítimas mortais, além de centenas de feridos e desalojados em várias regiões do país. Casas, empresas e infraestruturas públicas sofreram destruição total ou parcial, houve queda de árvores e estruturas, encerramento de vias rodoviárias, escolas e serviços de transporte, bem como falhas no fornecimento de energia, água e comunicações.
As zonas mais afetadas são o Centro, Lisboa e Vale do Tejo e o Alentejo. Face à gravidade da situação, o Governo decidiu prolongar até 15 de fevereiro a situação de calamidade em 68 concelhos, que passam a ter acesso a um pacote de apoios estimado em 2,5 mil milhões de euros, depois de sucessivos prolongamentos desde o final de janeiro.
Rádio Castrense / Lusa

















