O Executivo da Direção da Organização Regional de Beja do PCP manifestou esta semana profunda preocupação face aos constrangimentos e encerramentos verificados na rede de urgência da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), em particular no Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, entre os dias 4 e 6 de janeiro de 2026. De acordo com informação divulgada pela ULSBA, o Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica de Adultos esteve a funcionar apenas em regime de urgência referenciada, não recebendo diretamente a população, enquanto a Urgência de Ginecologia/Obstetrícia e o Bloco de Partos permaneceram encerrados durante parte deste período.
O PCP alerta que “estes constrangimentos surgem num momento particularmente sensível, marcado pelo aumento sazonal da procura de cuidados de saúde durante o Inverno, e confirmam a degradação continuada do Serviço Nacional de Saúde e a incapacidade do Governo para garantir o direito constitucional à proteção da saúde, especialmente nas regiões do interior, como o distrito de Beja”.
Durante a campanha eleitoral, o Governo liderado por Luís Montenegro comprometeu-se a apresentar um plano de emergência para o SNS nos primeiros 60 dias de governação, prometendo respostas imediatas para situações críticas, nomeadamente a redução do encerramento de urgências e a melhoria do acesso aos cuidados de saúde.
Meses depois, sublinha o PCP, “verifica-se um profundo desfasamento entre o discurso e a realidade”. A situação concreta no distrito de Beja “evidencia o falhanço dessas medidas, com populações confrontadas com urgências encerradas ou condicionadas, ausência de respostas hospitalares e degradação dos cuidados prestados, demonstrando que a chamada emergência não passou de propaganda e que não houve qualquer reforço estrutural do Serviço Nacional de Saúde” frisam os comunistas.
O partido considera “inaceitável que, perante o encerramento ou limitação das urgências hospitalares, se transfira para os cuidados primários de saúde — eles próprios carentes de meios e profissionais — a responsabilidade de dar resposta a situações urgentes”. A recomendação para que a população recorra ao SNS 24 ou aos centros de saúde” não substitui a necessidade de serviços hospitalares plenamente funcionais” lembra o PCP.
O PCP defende o “reforço urgente do SNS, com a contratação e valorização de profissionais de saúde, a reabertura e funcionamento pleno das urgências e o investimento sério na capacidade instalada do Hospital José Joaquim Fernandes”. O partido reafirma que “o direito à saúde não pode depender de comunicados de contingência nem de planos insuficientes para as necessidades reais da população”.
A Direção da Organização Regional de Beja do PCP garante que “continuará a intervir, denunciar e lutar ao lado dos utentes e profissionais por um Serviço Nacional de Saúde público, universal e de qualidade, que responda às necessidades do distrito de Beja e de todo o país”.


















